10/07/2012 12:00 am

Via Campesina constata ingerência dos EUA no Paraguai

Via Campesina constata ingerência dos EUA no Paraguai

 

De 2 a 7 de julho, campesinos e campesinas delegados da Coordenadora Latino-americana de Organizações do Campo (Cloc) e da Via Campesina Brasil, Chile, Argentina e Colômbia constituíram uma missão que esteve reunida no Paraguai. O objetivo foi conversar sobre a situação política que o país enfrenta após o golpe parlamentar do último dia 22, que retirou Fernando Lugo do poder.

 

Durante estes dias, os participantes acompanharam as organizações sociais, indígenas e campesinas locais e tomaram testemunhos e impressões para saber como a vida da população caminha após os últimos acontecimentos no país.

 

Um dos temas levantados durante a visita da missão foi a grande concentração de terras, as lutas cotidianas dos indígenas e campesinos por um pedaço de terra para promover seu sustento e as consequência que este modelo acumulador traz.

 

Um dos motivos que supostamente levaram à deposição de Fernando Lugo – o massacre de Curuguaty – está justamente ligado a esta concentração de terras nas mãos de poucos. A declaração pública da missão da Cloc – Via Campesina apurou, por meio de denúncias de moradores locais, que o massacre foi planejado pelos golpistas para justificar o impeachment e já estava arquitetado há algum tempo.

 

Familiares e lideranças campesinas asseguram que havia desconhecidos no sítio e que antes do massacre um helicóptero oficial fez disparos. Além disso, os tiros recebidos pelas vítimas se concentraram na cabeça, no pescoço e no coração.

 

A declaração repudia o fato de este ato ter sido “aproveitado por parlamentares e grupos econômicos que processaram politicamente o presidente após 23 ameaças de fazê-lo, e de haver colocado todas as travas possíveis para sua candidatura, sua eleição e gestão de governo, terminando em seu derrocamento com um julgamento express em que parlamentares passaram por cima da vontade democrática de que elegeu o presidente”.

 

Outro fato colocado durante a reunião com os movimentos foi a postura adotada pelo governo golpista. Segundo denúncias, a atual gestão já está tomando decisões para favorecer o capital, entre elas a não taxação de grandes produtores de soja, a habilitação da produção de cultivos transgênicos, o incentivo aos negócios de agrotóxicos e um alto subsídio no custo da energia para a empresa exploradora de alumínio Rio Tinto.

 

Como não poderia deixar de ser, também já se observou a ingerência de interesses norte-americanos no país com o objetivo de enfraquecer iniciativas que estimulam outros modelos de vida e de abater governos de países vizinhos que estão buscando novas formas de integração e cooperação regional. Uma das formas de perseguição é por meio dos ataques a meios de comunicação comunitários e alternativos e outra se configura na perseguição a lideranças.

 

Apesar de todos os problemas e dificuldades, aponta a declaração pública, os movimentos campesinos e sociais estão dispostos e decididos a lutar pelo retorno de Lugo a fim de defender a real democracia e os interesses dos mais pobres e oprimidos ante os interesses dos grandes capitais nacionais e transnacionais.

 

“Consideramos que hoje, mais que nunca, devemos incidir em todos os cenários para que restabeleça o governo democrático eleito, como exigiram e solicitaram organismos como Unasul, Mercosul e Alba e também os intelectuais, organizações e redes sociais do Paraguai, do continente e do mundo”, afirmam.

 

Fonte: Adital

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=188114&id_secao=7

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