27/07/2012 12:00 am

Venezuela: De mochila na revolução

Venezuela: De mochila na revolução

 

O primeiro impacto que se tem é o da informação. Ao atravessar a fronteira norte do Brasil o que se encontra-se a partir de Santa Helena do Uairen é um enorme jorro de informações incongruentes com a imprensa hegemônica homogênea tupiniquim.

 

Por Gaby Claus, da Venezuela, especial para o Vermelho

 

Para além do consensual noticiário produzido por nossa imprensa nacional-transnacional, o contraponto feito pela mídia venezuelana estatal e popular na mídia expõe debates de fundo ideológico dos quais estamos alijados em nossa aparente democracia midiática.

 

Mais de que uma eleição, existe aqui um vivo debate civilizatório, no qual, para além da escolha pura e simples desta ou daquela candidatura, debate-se a aplicação de políticas públicas e ações governamentais como um caminho no rumo da superação estrutural do capitalismo imperialista.

 

Não se escuta em nenhum momento pelas ruas, debates de comparação pessoal entre este e aquele candidato como è corriqueiro em nosso país, aliás mal se fala em nomes, nem dos dois principais nem dos cinco diminutos demais concorrentes à presidência da República Bolivariana. A polarização entre Chavez e Caprilles (o polaco-colombiano ex- gobernador do estado de Miranda) se materializa em uma polêmica de cunho histórico entre a Venezuela socialista, em construção e a Venezuela que existiu no passado, capitalista-colonial.

 

A discussão de projetos de sociedade se sobrepõe em muito a propostas tecnicistas específicas desta ou daquela pasta, de modo que isso se evidencia ainda mais quando se nota o discurso oposicionista. Caprilles Radonski è ainda mais subjetivo e furta-se a discutir a retomada dos conceitos de democracia burguesa e economia de mercado, pautando-se essencialmente pela contraposição ao projeto socializante de maneira general e superfecial.

 

Quem tem apresentado metas e objetivos mais claros é a candidatura popular de Hugo Chavez, sem deixar um só minuto de submeter estas metas ao projeto revolucionário em curso.

 

As cifras apresentadas pelo governo sequer são contestadas pela oposição. Ao contrario disto, Radonski, mais de vinte pontos atrás nas últimas pesquisas, chega ao desepero de dizer que, a pesar de retomar o caminho do capitalismo, pretende intensificar os projetos sociais da revolução bolivariana, diz que Chávez está abandonando as missões (nome genérico pelo qual são denominadas as políticas publicas revolucionárias) e que ele sim, as reforçará!

 

Falam em aumentar a construção de casas e a aplicação de recursos na saúde, educação e assistência social, escondem as unhas para tentar uma reversão do quadro.

 

Enquanto isto, Chávez apresenta números muito sólidos destes projetos, números que são um marco histórico para o subcontinente latino-americano. A miséria absoluta que passava de um terço da população foi reduzida a menos de sete por cento nestes doze anos; o analfabetismo crônico de cerca de um quinto do povo foi zerado; favelas e habitações precárias estão sendo urbanizadas e reestruturadas aos milhões; cidades inteiras estão sendo construídas pelo governo para reurbanizar as metrópoles; a questão gravíssima da soberania alimentar, sempre problemática em nações petroleiras (aquí se importava de tudo…) está sendo construída a passos largos com a estatização da rede Éxito de supermercados e a criação da Rede Mercal, além da Pedeval, que oferecem alimentos a um quarto do preço dos mercados privados, daí sua aprovação popular de mais de setenta por cento segundo a última sondagem.

 

A coisa aqui mais se assemelha a uma grande festa popular de afirmação de um projeto histórico do que a um pleito, de modo que, mesmo os eleitores da oposição, não creem em uma reversão do quadro.

 

Nesta quinta-feira (26), assisti ao vivo a comícios de ambos os candidatos e, se o desânimo ainda não se estampa, fica evidenciada a incapacidade de Caprilles rivalizar. Ele passou quase todo o comício lendo cartazes de apoio dos populares presentes e usando frases feitas de galanteio masculino, dada sua pinta hollywoodiana, aliás, uma idiossincrasia nesta pátria de ampla maioria mestiça.

 

Estou em Maturin, capital do estado Monagas, oriente venezuelano, grande cidade operária. Estive na quinta-feira em uma das mobilizações da campanha revolucionária de Chávez no bairro Bolívar, fiquei assustado. Bem no horário de trabalho, às duas da tarde, debaixo de um sol de 45 graus, era massiva a movimentação da gente de vermelho, mulheres, operários, idosos e jovens estudantes, saíram a percorrer casa a casa para debater o programa de governo em seus pontos básicos.

 

A ofensividade e a certeza categórica com que marcham dão a nítida convicção de que, no mínimo, não será fácil detê-los.

 

Gaby Claus é escritor e militante internacionalista, em viagem pela Venezuela

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=189691&id_secao=7

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