10/01/2011 12:00 am

SECRETÁRIO VÊ EXCESSO DE PACIENTES DO INTERIOR

SECRETÁRIO VÊ EXCESSO DE PACIENTES DO INTERIOR 

Secretário municipal Gutemberg Araújo defende gestão partilhada entre prefeituras e estado para melhorar atendimento de hospitais à população maranhense.

Carol Melo 

Mães reclamam da demora no atendimento, falta de equipamentos e dos poucos profissionais de saúde no Hospital Dr. Odorico Amaral de Matos (Hospital da Criança), na Alemanha. Segundo o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), Gutemberg Araújo, o Hospital da Criança está funcionando com capacidade total, bem como os demais hospitais municipais. Os problemas seriam em decorrência da superlotação destes centros de saúde, provocados pela alta demanda de pacientes provenientes do interior para São Luís. A solução, segundo Gutemberg seria a gestão partilhada da Saúde entre estado e município.

A estudante Carla Carolina Cunha Albertim, 17 anos, disse que chegou ao Hospital da Criança à 1h do dia 5, mas a tomografia no filho João Marcos Cunha Nunes, 10 meses, só foi feita às 16h. Ela contou que seu bebê e mais outras cinco crianças tiveram que ser levadas de ambulância para o Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I) para fazer o exame. Segundo ela, isso só foi possível após protesto das mães. “Dissemos que íamos à delegacia, até que a administradora do hospital veio conversar com a gente para resolver a situação”, disse Carolina. No grupo de crianças, a mais doente era filha de uma mulher do interior do estado, contou a estudante. “A criança tinha convulsões toda hora; além da demora no atendimento, não apareceu nenhuma enfermeira para ajudar a mãe a segurar a criança”, falou.

No corredor do Hospital da Criança, é visível a falta de leitos e enfermeiras para tantos pacientes. Muitos pais precisam segurar o soro em uma mão, e o filho na outra. Há casos de crianças que esperam bastante tempo para ter o soro retirado. “Tive de brigar por meia hora para que viessem tirar o soro do meu filho, que já estava sangrando”, disse Carolina. Um dia depois o cenário no Hospital Odorico Amaral não havia mudado. Logo na entrada, mães e crianças aguardavam vagas nos leitos. Às 14h30 o local estava lotado. Quem estava dentro do hospital a essa hora já tinha passado muito tempo na fila.

Foi o caso da dona de casa Elenilde Rodrigues Mendes, 19 anos, com o filho Victor Mendes Diniz, de 1 ano e dois meses. Ela contou que chegou às 7h40 no centro de saúde, mas só obteve uma senha para a criança ser atendida por volta das 13h. Outros pacientes tiveram mais sorte. Apesar da relativa demora, a dona de casa Márcia Ferreira, 23 anos, disse a reportagem que o filho Lucas Ferreira Pinheiro, de 9 meses, foi bem atendido. “Cheguei aqui às 6h, e duas horas depois meu filho foi atendido”, falou. Entretanto, a criança permaneceu mais cinco horas para receber o resultado do raio x e ser atendida pelo médico novamente.

Gutemberg Araújo disse que a Prefeitura de São Luís tem feito o possível para contornar o caos instaurado nos hospitais municipais. Gutemberg listou diversas obras, reformas e ampliações de centros de saúde do município realizadas pela atual gestão. Entretanto, nada disso teria sido suficiente perante a alta e antiga demanda de pacientes do interior. Como já relatou em outros momentos, Gutemberg lembrou que a sobrecarga no sistema de saúde municipal é de 50%. Mas atualmente mais da metade dos pacientes atendidos em hospitais municipais na capital maranhenses são pacientes do interior.
No caso do Hospital da Criança, a situação é ainda pior. A única alternativa para atendimento de urgência a crianças na capital atualmente segundo Gutemberg, o Hospital Materno Infantil, não está atendendo durante a noite. O fechamento total da emergência no Materno em maio do ano passado levou aos profissionais do Hospital da Criança a realizar protesto. O centro de saúde de média complexidade é adequado para receber apenas crianças com mais de 28 dias de vida, e teve que receber recém nascidos e prematuros devido ao fechamento do Materno.

A situação resultou em interferência do Ministério Público, que exigiu no prazo de 90 dias do município de São Luís a construção de 10 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal e oito leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) no Hospital Santa Casa (Centro). Mais seis leitos de UCI foram criados no Hospital da Criança. O estado do Maranhão foi cobrado a ativar 10 leitos pediátricos de UTI no Hospital Infantil Juvêncio Mattos. Por meio do acordo, o município e o estado solicitaram que o Materno Infantil reativasse cinco leitos de UTI neonatal na época desativados. Em contrapartida, a direção do referido estabelecimento pediu que a prefeitura e o estado emprestassem os profissionais para possibilitar a reativação.
De acordo com Gutemberg, a situação voltou a se complicar. O secretário relatou que não só este acordo, mas outro firmado entre municípios do interior tem sido desrespeitado. Ele disse que antes de enviar pacientes das demais cidades maranhenses para a capital, as prefeituras deveriam avisar a Central de Regulação de São Luís. Isto não estaria acontecendo.

As cifras

Segundo o titular da Semus, o sistema de saúde público no Maranhão é dividido em três macrorregiões: São Luís, Caxias e Imperatriz. A capital maranhense seria responsável por dar conta de hospitalizar o contingente populacional de 123 municípios – o mesmo que 4 milhões de pacientes. O número real seria bem maior do que isso, já que a capital receberia pacientes de cidades para além desse acordo. Devido ao descontrole, o déficit financeiro é grande, já que não existe mecanismo para que São Luís seja ressarcido do “prejuízo”. Para o Hospital Clementino Moura (Socorrão II), a Prefeitura recebe do governo federal R$ 1,5 milhão por mês; na prática, o hospital custa R$ 5 milhões. Somando os dois “Socorrões”, o déficit da prefeitura é de R$ 7 milhões, afirmou Gutemberg Araújo.

Para o secretário, só há uma solução para os problemas do sistema público de saúde no Maranhão: gestão compartilhada. Na opinião de Gutemberg, falta verba; mas pior que o sub-financiamento da Saúde é a gestão deficiente dos municípios. Uma responsabilidade que precisa ser partilhada com o governo do estado. “São Luís recebe a mesma quantia que outros municípios para implantar o Programa de Atendimento Básico (PAB); mas o que vemos é pacientes que chegam com doenças crônicas a São Luís por falta de cuidados simples em suas cidades”, disse Gutemberg Araújo. “A Saúde é soberana e precisa ser encarada como tal; é uma responsabilidade tripartide segundo a constituição”, finalizou o secretário. 

O governo do estado está construindo 72 hospitais em municípios estratégicos para solucionar o problema de falta de atendimento e por fim a peregrinação de ambulância para São Luís. No discurso de posse, a governadora Roseana Sarney elegeu a saúde como prioridades da sua quarta administração.

 

FONTE: http://www.oimparcialonline.com.br/noticias.php?id=69369

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