7/05/2012 12:00 am

Resultado eleitoral na Grécia revela impasse político

Resultado eleitoral na Grécia revela impasse político

 

As eleições legislativas realizadas neste domingo (6) na Grécia foram um verdadeiro terremoto político e puseram abaixo a coalizão entre a direita (Nova Democracia) e a social-democracia tradicional (Partido Socialista Pan Helênico – Pasok) que se revezaram no poder nos últimos anos e ultimamente governavam juntos o país como fiadores das medidas de austeridade e arrocho impostas pela União Europeia.

 

A Nova Democracia caiu de 33,5%, nas eleições de 2009, para 18,9%; o desastre do Pasok foi ainda maior. Os social-democratas caíram de 44% em 2009 para 13,2% nas eleições deste domingo.

 

A força emergente desta eleição é a denominada Coalizão da Esquerda Radical (Syriza), que multiplicou quase quatro vezes a sua votação, de 4,6%, em 2009, para 16,8% em 2012.

 

O Partido Comunista Grego manteve o seu eleitorado e até cresceu um pouco, de 7,5%, em 2009, para 8,5% no pleito deste domingo.

 

Outro aspecto novo destas eleições gregas foi a votação de um grupo fascista e racista, o Aurora Dourada, um partido que usa símbolos nazistas e defende a expulsão dos imigrantes. Pela primeira vez, com 7% dos votos, esta organização conseguirá enviar deputados ao Parlamento (21). Nas eleições de 2009, o Aurora Dourada obtivera apenas 0,3%.

 

Pequenas formações políticas oriundas de cisões dos grandes partidos também obtiveram votações que as credenciam a eleger deputados. A Esquerda Democrática, uma dissidência do Syriza, obteve 6,1%; os Independentes, uma cisão da direitista Nova Democracia, ficaram com 10,6%.

 

O resultado eleitoral deste domingo na Grécia aumenta o impasse político surgido na esteira da profunda crise econômico-financeira em que o país se encontra mergulhado. Nenhum partido alcançou uma votação que o credencie a liderar a formação de um governo estável.

 

As opções em debate são a tentativa de formar um governo de “unidade nacional”, ou um governo de coalizão entre forças afins. Na impossibilidade de concretizar uma das duas hipóteses, não está descartada a convocação de novas eleições.

 

Em declaração emitida na noite deste domingo, a secretária-geral do Partido Comunista Grego, Aleka Papariga, afirma que há uma “reversão do cenário político, com a interrupção da rotação entre o Pasok e a Nova Democracia”. A líder comunista considera que o país está ingressando “em uma fase de transição em que haverá uma tentativa de criar uma nova cena política com novas formações, com uma orientação de centro-direita ou com base em uma nova social-democracia, que terá em seu núcleo o Syriza”, que visa impedir as soluções radicais.

 

O líder do Syriza, Alexis Tsipras, iniciou nesta segunda-feira (7) conversações tentando a formação de um governo de centro-esquerda. Mas o Partido Comunista (26 deputados) declarou, no próprio domingo, quando foram anunciados os resultados eleitorais, que não participará da coalizão governamental.

 

Da Redação, com informações do Rizospastis, jornal do PC Grego

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=182531&id_secao=9

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