20/09/2011 12:00 am

Pós-graduandos fazem semana de mobilização por reajuste de bolsas

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) organiza uma semana concentrada de campanha pela valorização das bolsas de pesquisa que teve início nessa segunda (19) e vai até sexta-feira (23). O foco é o reajuste das bolsas de mestrado e doutorado, que estão com os valores congelados há mais de 3 anos, embora as pautas por financiamento para educação e ciência e tecnologia também façam parte do debate. Além de ações nas universidades, a entidade promove uma diversificada campanha virtual.

A campanha foi decidida durante o 38º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (Conap), que reuniu APGs de todo o país no mês de agosto em Recife (PE). Algumas associações já deram início às atividades, como é o caso das APGs da PUC-Rio, da Unifesp e da Unicamp. As primeiras atividades foram uma festa-protesto no Rio de Jsneiro, um debate em São Paulo e um ato irreverente organizado pelas APGs da Unicamp, em Campinas, onde foram recolhidas moedinhas cuja destinação seria uma doação simbólica ao governo federal para garantir o orçamento necessário para o reajuste. Os materiais da campanha estão afixados nessas e em outras universidades por todo o país.

Caso o reajuste não seja concedido, no início de 2012 o valor das bolsas de mestrado Capes e CNPq – ambas em R$ 1.200 – será equivalente a menos do que salários mínimos, já que a previsão é que este índice seja reajustado para R$ 618, informa a ANPG. Para garantir recursos de longo prazo que atendam as necessidades da educação e do sistema de ciência e tecnologia do país, a entidade defende o investimento de 10% do PIB em educação e 50% do Fundo Social do Pré-Sal em educação, ciência e tecnologia.

Marcha dos Estudantes

Uma semana após o Conap, em 31 de agosto, a ANPG participou da Marcha dos Estudantes, que levou mais de 10 mil pessoas às ruas de Brasília, e a presidente da entidade, Elisangela Lizardo, teve a oportunidade de entregar um documento com a pauta do reajuste das bolsas à presidente Dilma Rousseff.

Segundo Elisangela, o contexto do país exige o fortalecimento do seu sistema ciência e tecnologia e também do educacional: “o Brasil vive um momento propício para impulsionar um crescimento que garanta justiça social e aproveite as possibilidades do país de forma sustentável. Temos o desafio de construir dois grandes eventos esportivos mundiais e descobrimos uma riqueza natural imensa, o pré-sal, que deve ser utilizada para o desenvolvimento do país com a participação de todo o seu povo neste processo. Mais do que nunca, a educação e a pesquisa científica devem ser entendidas como instrumentos essenciais para o melhor aproveitamento desta janela histórica de possibilidades e desafios que vive o país”. É neste contexto que a ANPG pauta a valorização das bolsas de pesquisa, completa a doutoranda.

Pelas ruas e pela rede

Entre as ações sugeridas pela campanha estão a realização de atos com nariz de palhaço; festas-protesto de aniversário dos 3 anos sem reajuste; instalação de murais para que apoiadores da campanha deixem suas mensagens e assinaturas; paralisação dos laboratórios da universidade por 1 hora; coleta de moedas para garantir o orçamento do governo federal para conceder o reajuste; instalação de um contador de dias sem reajuste (nesta segunda, 19, completam-se 1.205 dias); debates e moções de apoio dos órgãos colegiados das instituições e entidades dos movimentos sociais.

Além das mobilizações, a ANPG promoverá uma campanha virtual por toda a semana. Um Twittaço com a hashtag #reajustedebolsasja está marcado para quinta-feira (22). As mensagens pelo Twitter e também pelo Facebook divulgam o abaixo-assinado da campanha, as ações nas universidades, além de informações com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a pauta.

Um exemplo é a informação de que a inflação acumulada desde o último reajuste é de 17,56%. Outra mensagem ressalta que, segundo o IBGE, profissionais que concluíram graduação ganham, em média, 7,8 salários mínimos (R$ 3.642), enquanto os pós-graduandos são pesquisadores que recebem uma bolsa de R$ 1.200,00 para se dedicar ao mestrado e R$ 1.800 para o doutorado (valores Capes e CNPq).

Vídeo-depoimento

Outro instrumento que os pós-graduandos pretendem utilizar na campanha é o recurso audiovisual. A idéia é que cada apoiador da campanha grave um vídeo curto com o seu depoimento. Pode ser via webcam, câmera do celular, da máquina fotográfica, ou qualquer equipamento que cumpra o papel. A orientação é que o vídeo termine sempre com a frase “Reajuste de Bolsas Já!”. Os vídeos devem ser enviados para o e-mail reajustedebolsasja@gmail.com e também para o perfil da ANPG do Twitter (@anpg) e o do Facebook (Associação Nacional de Pós-Graduandos), além de todos os contatos de quem o postou.

Enxurrada de e-mails

A campanha virtual pretende ainda chamar a atenção do governo federal. Um texto padrão e os endereços de e-mail de autoridades que a campanha pretende pressionar estão publicados na página da entidade, com um texto orientando que os participantes da campanha façam uma “enxurrada” de mensagens nas caixas de e-mails de autoridades do Poder Executivo.

A campanha de bolsas continuará em outubro. O calendário da ANPG prevê a realização de audiências em Brasília para apresentar o resultado da campanha. APGs e pós-graduandos de todo o país devem participar da entrega do abaixo-assinado e relatório das mobilizações, que têm o objetivo de pressionar o governo pelo reajuste pautado.

Da redação, Luana Bonone, com informações da ANPG

 

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=164388&id_secao=8

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