8/10/2012 12:00 am

Organizações pedem aos ministros de Defesa fim da militarização

Organizações pedem aos ministros de Defesa fim da militarização

 

Em virtude da realização da 10ª Conferência de Ministros de Defesa das Américas, que começa nesta segunda-feira (8) e segue até quarta-feira (10) em Punta del Este (Uruguai), mais de 30 organizações e personalidades da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Haiti, México, Paraguai, Uruguai e Venezuela assinaram um documento em que pedem, entre outras demandas, o compromisso com a desmilitarização do continente.

 

Organizações, coletivos, associações, movimentos e personalidades manifestam no documento preocupação com o aumento da presença militar dos Estados Unidos na região pelo fato de esta situação representar, de forma clara, uma ameaça à soberania de todos os povos e ao direito à paz.

Além da demanda central – a desmilitarização do continente – também pedem que os ministros de defesa se atenham à concretização de outras ações, entre as quais a eliminação das bases militares estrangeiras do continente latino-americano, assim como a retirada das tropas estrangeiras que usam as bases nacionais. Outro pedido é o fim dos exercícios militares conjuntos realizados sob a doutrina e direção do Pentágono (EUA).

 

Entre as cobranças está ainda o fechamento da Escola das Américas, reivindicação feita há mais de 20 anos; o encerramento do patrulhamento da 4ª Frota da Marinha estadunidense nas costas e rede fluvial da América Latina; além do fim definitivo da chamada “guerra contra as drogas”, que já tirou milhares de vida, sobretudo, na Colômbia, México e América Central. As organizações sugerem que a atual política seja trocada por uma política pública integral, multilateral e com ênfase nas ações de saúde pública.

 

Soberania

 

“Também, exortamos aos Estados a reverter a tendência a militarizar funções do Estado que não competem à Defesa e por consequência ao âmbito militar”, pedem, esclarecendo que os Estados democráticos de direito têm agências especializadas e idôneas, de caráter civil, para oferecer atenção humanitária e atuar em catástrofes naturais, no controle das migrações e das políticas de segurança cidadã.

 

Cientes de que as Forças Armadas foram criadas para agir em conflitos que envolvam outras nações e para eventuais confrontos armados, as organizações repudiam a política, impulsionada pelos Estados Unidos e adotada por alguns países, de envolver as Forças Armadas em assunto de segurança interna sob o pretexto de “novas ameaças”. Situação que vem submetendo o narcotráfico, o protesto social e a resistência aos megaprojetos de infraestrutura ou à extensão do agronegócio à atuação das Forças Armadas.

 

Uma região de paz

 

Também pedem a redução dos gastos militares e sua conversão em gastos sociais, ação que, acreditam, pode ajudar a converter as Américas em um território de paz.

 

O Haiti, país que sofreu grandes perdas humanas e materiais com o terremoto de 12 de janeiro de 2010, também foi lembrado. No documento, pedem aos governos que continuem e aprofundem o apoio social e econômico à República do Haiti e a concretizar a retirada completa das tropas da Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti (Minustah).

 

No caso do Paraguai, país que sofreu um “golpe de Estado institucional” em junho deste ano, chamam atenção para a ameaça de reprodução de novos golpes, alertando que pronunciar rechaço não é o bastante.

 

“Finalmente, chamamos os Estados a prestar especial atenção ao processo de diálogo anunciado na Colômbia, que conduziria à solução negociada do conflito armada que se vive neste país. A violência desatada por tal conflito ocasionou milhares de mortes, o deslocamento forçado de milhões de pessoas, graves violações aos direitos humanos e se converteu em um pretexto para justificar a intervenção militar estadunidense na Colômbia e na região inteira”, exigem, lembrando que uma solução ao conflito seria benéfica à estabilidade regional.

 

Outras informações em: www.fuerabases.org

 

Fonte: Adital

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=195856&id_secao=7

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