4/09/2012 12:00 am

ONU alerta para perigo de nova crise mundial de alimentos

ONU alerta para perigo de nova crise mundial de alimentos

 

O mundo pode viver uma crise alimentar global, como as de 2007 e 2008, caso os governos não adotem medidas urgentes para reverter a alta dos preços. O alerta foi publicado nesta terça-feira (4) por três agências da Organização das Nações Unidas (ONU), com sede em Roma.

 

Segundo a organização, essa crise é motivada pela “quebra de safra” das principais regiões produtoras do mundo, o que tem pressionado os preços no mercado mundial.

 

“Somos vulneráveis porque, mesmo em um bom ano, a produção mundial de cereais é apenas o suficiente para atender a crescente demanda por alimentos, ração e combustível. Em um mundo onde há 80 milhões a mais de bocas para alimentar a cada ano, nós estamos em perigo, já que apenas um punhado de países são grandes produtores de alimentos básicos”, destacou o comunicado conjunto assinado por representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e do Programa Alimentar Mundial (PAM).

 

Os produtores de milho, trigo e soja de várias regiões do mundo têm registrado prejuízos históricos em função da forte seca. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o cultivo de milho já apresentou saldos decrescentes no ano passado, os agricultores estimam perdas em torno de 20% a 30% com a estiagem deste ano. Os prejuízos podem ultrapassar a marca das 130 milhões de toneladas, se somadas as lavouras de soja e milho.

 

As lideranças das três agências da ONU defendem uma ação internacional conjunta para reverter o cenário. “Há duas questões interligadas que devem ser abordadas: a questão imediata dos altos preços de alguns alimentos, que podem afetar significativamente os países dependentes da importação de alimentos e as pessoas mais pobres, e o problema a longo prazo de como produzir, comercializar e consumir alimentos em um momento de crescimento da população, da demanda e de mudanças climáticas.”

 

Os dirigentes da FAO, Fida e PAM destacaram que o impacto da alta dos alimentos recai de formas diversas sobre diferentes economias e apontaram estratégias de solução, como o maior investimento no segmento de pequenos produtores de alimentos para que possam aumentar a produtividade, acesso aos mercados e reduzir a exposição ao risco.

 

“Adotamos uma abordagem de duas vias que apoia investimentos de longo prazo na agricultura, principalmente dos pequenos produtores, assegurando que as redes de segurança [alimentar] estão no local para ajudar os consumidores e produtores de alimentos pobres e evitar a fome, perda de bens e a armadilha da pobreza no curto prazo”, destacam.

 

Apesar da referência à crise de 2007, quando os níveis de produção e estoque baixaram drasticamente levando vários países a restringirem o consumo e adotarem políticas de subsídio e estímulo à exportação para solucionar o problema, os organismos das Nações Unidas reconhecem que o mundo está mais preparado do que há cinco anos.

 

As três organizações lembraram também que deve ser abordado a longo prazo o problema de como produzir, comerciar e consumir alimentos em uma época de crescimento demográfico e da demanda, sob influência de mudanças no clima.

 

também mencionaram as três fortes elevações dos preços internacioanais nos últimos cinco anos e em todas as ocasiões a meteorologia cumpriu um papel nisso.

 

Unido a isso, está o aumento do desvio de reservas alimentares para outros fins e o aumento da especulação financeira como alguns dos fatores do encarecimento e da volatilidade.

 

Especulação e controle

 

Durante a crise de alimentos nos anos de 2006 a 2008, a mídia corporativa informou que o problema era a “falta de alimentos”, a sua baixa produção. Isso foi rebatido pelo próprio presidente da FAO na época, Jacques Diouf.

 

“Com os recursos naturais que temos, bem como a produção já disponível poderíamos alimentar sem problemas 12 bilhões de pessoas. Quase o dobro da população mundial atual que é de 6,2 bilhões” dizia Diouf.

 

Os motivos reais da crise na produção e no abastecimento, e consequente elevação de preços dos produtos no fim da primeira década do século 21 são encontrados na forma como o capitalismo trata a produção agrícola.

 

A crise da produção de alimentos ocorre porque o comércio de produtos agrícolas obedece à lógica do mercado. Empresas multinacionais do setor agrícola, como Monsanto, Bunge, Cargill, Nestlé e Syngenta, entre outras, controlam a produção e o comércio de setores chave da produção agrícola e o neoliberalismo adotado pelas nações imperialistas em meados dos anos 1980 fez com que países em desenvolvimento modificassem suas culturas, fazendo com que esses países produzissem para abastecer esses mercados e deixassem de produzir alimentos para suas próprias populações.

 

É o caso do Brasil, onde o agronegócio está voltado para a monocultura, produzindo soja ou cana-de-açúcar para exportação e onde as multinacionais controlam as bolsas de produtos agrícolas, elevando artificialmente os valores de seus produtos.

 

Em 2007, o suíço Jean Ziegler, então relator de direitos da alimentação da ONU, dizia que “a fome e a desnutrição não são efeitos de fatalidade ou de eventos geográficos. Ela é resultado da exclusão de milhões de pessoas do acesso a terra, água, sementes, conhecimentos e bens da natureza para produzirem sua própria existência, ela é resultado das políticas impostas pelos países desenvolvidos, por suas transnacionais e seus aliados nos paises pobres do sul na perspectivas de manter a continuidade da hegemonia política, econômica, cultural e militar sobre o atual processo de reestruturação econômica global”.

 

Também o modo de produção agrícola (Revolução Verde), baseado no uso intensivo de fertilizantes químicos, agrotóxicos e mecanização intensiva têm afetado o equilíbrio e a fertilidade dos solos, além de ameaçar a água potável. Devido às essas técnicas agrícolas que exigem irrigação intensa hoje se consome 70% de toda água potável do mundo na agricultura.

 

Estima-se que desde a Revolução Verde (monocultura de pinos, eucalipto etc.) cerca de 45 milhões de hectares tenham sidos danificados, bem como há hoje, no mundo, 1,6 bilhões de pessoas que não tem acesso à água necessária. Esse modelo tecnológico está fadado ao fracasso em todo planeta.

 

Do Portal Vermelho, com informações da Agência Brasil e do MST

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192909&id_secao=10

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