21/09/2010 12:00 am

MUDAR O AMARGO CAMINHO

MUDAR O AMARGO CAMINHO

O I Congresso do MNCI discutiu, entre vários pontos, o retorno dos camponeses e camponesas expulsos à suas terras. O Congresso foi também um momento de preparação dos movimentos e organizações sociais argentinas, dos camponeses e camponesas, e dos indígenas, para o V Congresso da CLOC, que será realizado de 8 a 16 de outubro, em Quito, Equador.


“Lutar para que os que foram expulsos da terra possam retornar” – Eduardo Bellelli (MNCI)

(Texto e fotos: Rádio Mundo Real)

Em duas décadas, quase meio milhão de famílias camponesas argentinas recorreram ao amargo caminho de sair de sua terra e ir para a cidade, que ainda hoje lhes é hostil. onseguir que esse êxodo da pobreza se reverta, é talvez um dos maiores compromissos do Movimento Nacional Camponês e Indígena (MNCI), firmados no encerramento de seu primeiro Congresso, no dia 14 de setembro último.

Um dos desafios assumidos pelo (MNCI) nesse Congresso, realizado em Buenos Aires, Argentina, é que através da luta, rural e urbana, se abram perspectivas para o “desexílio” dos milhares de camponeses deslocados para as cidades.

Essa volta ao campo é parte fundamental da reforma agrária integral, que o MNCI traz em sua plataforma há uma década, e que reafirmou neste Congresso Nacional de três dias, que serviu como preparatório para o V Congresso da Coordenadora Latino-americana de Organizações do Campo (CLOC) – Via Camponesa, a realizar-se em outubro em Quito, no Equador.

Eduardo Bellelli, do Movimento Camponês de Córdoba, conversou com a Rádio Mundo Real minutos antes de realizar-se a mística de fechamento do Congresso, e explicou como, segundo o Movimento, se deve passar da fase de resistência à fase de consolidação e repovoamento rural, organizado e sustentável. Ou, como o expressa a consigna do Congresso, os camponeses “somos terra para alimentar os povos”.

Para fazer possível esta mudança civilizatória, segundo Eduardo, o Movimento combina a formação acadêmica de seus integrantes, com suas escolas e universidades camponesas, com a recuperação dos saberes tradicionais.

Por isso, em consonância e em um plano de igualdade, conviveram durante três jornadas, idosos das comunidades de várias províncias, mulheres que compartilharam seu conhecimento das ervas medicinais do monte, e profissionais universitários, pesquisadores agrônomos, juristas e especialistas em ciências sociais e da comunicação. Cada um contribuiu para o debate e, entre todos, formou-se uma “argamassa” diversa, desde a qual o Movimento procura assentar sua influência política e simpatia social, oferecendo um novo formato de vida, militância e desenvolvimento pessoal.

Resultou significativo, nesse contexto, que o documento base para a divulgação da Reforma Agrária Integral que, se insiste, começou já na possibilidade de resistência organizada às expulsões e com a recuperação de campos comunais, tenha sido lido por jovens de diferentes comunidades.

Na linguagem gestual também pode ler-se a continuidade geracional e histórica.
Bellelli, agrônomo de formação, diz “temos ferramentas, elementos para que essa reforma agrária passe a ser a da consolidação e do desenvolvimento”. E contribuiu com um dado: desde a década do 90, 300 mil famílias camponesas abandonaram o campo em direção à cidade, se abandonou, assim, a agricultura de autosubsistência, mas esses saberes estão latentes nos bairros e vilas e devem ser convocados para retornar à uma Argentina igualitária, que é o que procura o MNCI.

 

FONTE: http://www.cptnacional.org.br/index.php/noticias/40-v-congresso-da-cloc/413-mudar-o-amargo-caminho

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