29/03/2011 12:00 am

MONOGRAFIA SOBRE GUERRILHA DO ARAGUAIA VIRA LIVRO NO PARÁ

Dois jovens comunistas paraenses reuniram seus esforços e talentos para editar um livro que procura traçar uma panorâmica da participação do povo na articulação da Guerrilha do Araguaia, a partir de fontes primárias colhidas por Paulo Fonteles enquanto advogado dos posseiros no sul do Pará. O livro se chama “Guerrilha do Araguaia: luta e apropriação da massa campesina” e os autores são Pedro Fonteles e Laércio Braga.

A pesquisa de Pedro e Laércio foi feita originalmente como trabalho de conclusão do curso de história da Faculdade Brasil-Amazônia, em que ambos cursaram história. Defendida em junho de 2010, a monografia está prestes a virar livro a ser publicado pela editora Labor, provavelmente no próximo mês de maio. Pedro é filho de Paulo Fonteles e os dois jovens são filiados ao PCdoB.

Nova abordagem

O material colhido por Paulo Fonteles durante sua participação na “Caravana” dos familiares dos mortos e desaparecidos que percorreu a região no período de outubro de 1980 também foi utilizado como fonte de pesquisa, além de diversos relatos orais colhidos nos locais de operação da guerrilha pelos autores. “O trabalho faz uma incursão pela bibliografia correlata ao tema e pretende contribuir com novas abordagens e discussões sobre o mesmo”, explica Pedro Fonteles.

O Livro discorre sobre a luta e a apropriação da massa campesina em torno dos acontecimentos gerados entre 1972-1975, na Guerrilha do Araguaia. Esse movimento reuniu um grupo de jovens, em sua maioria, alcunhados localmente de “paulistas”, militantes do PCdoB, que tentaram implantar, a partir dos sertões da região conhecida como Bico do Papagaio, a resistência contra a ditadura instalada no país desde o golpe de 1964. Os guerrilheiros foram ferozmente aniquilados pelas Forças Armadas brasileiras, mas obtiveram resultados práticos nos movimentos sociais campesinos até hoje atuantes.

“O livro debate sob uma perspectiva de uma ‘história vista de baixo’, analisando o grau de intensidade e participação da população campesina no movimento”, contam os autores. 

Vitória moral

Para Pedro Fonteles, o movimento guerrilheiro promoveu uma mudança de mentalidade que ultrapassou as fronteiras do Araguaia, foi para ele, a grande sementeira da organização da luta camponesa pela posse da terra.

Os autores concluem que é preciso colocar a Guerrilha no patamar justo das grandes realizações do povo brasileiro, vitoriosa ou derrotada, com a amazônia sendo cenário de uma revolução popular que deixa o seu legado marcado na mentalidade nacional. 

“De derrotada, a Guerrilha se viu vitoriosa. Uma vitória moral, que contribui para o triunfo da democracia nos anos posteriores”, avalia Pedro.

Da redação, Luana Bonone

 

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150537&id_secao=1

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