7/12/2011 12:00 am

Marcha da indignação do Piquiá

Marcha da indignação do Piquiá

Piquiá – Prefeitura de Açailândia – Fórum, 7 de dezembro 2011

Somos 350 famílias esquecidas às margens da cidade de Açailândia. Cinco siderúrgicas vomitam sua poluição há vinte anos sobre nossas casas e não nos deixam respirar direito.

A Vale, mãe do sistema que trouxe o terror e a doença no corredor de Carajás, diz que não é com ela… e continua vendendo minério de ferro a quem está matando lentamente o nosso povo.

O Governo do Maranhão e a Prefeitura de Açailândia deixaram tudo isso acontecer sem fazer nada. E continuam parados.

O Tribunal de Justiça suspendeu provisoriamente a desapropriação do terreno escolhido para nos abrigar, dando razão a 50 vacas. E agora demora para dar a decisão final.

 

O povo de Piquiá sabe que tem direitos e não aceita ser enrolado! Há anos está se organizando e lutando, e não vai parar agora!

Hoje descemos às ruas, em marcha de indignação e denúncia.

Estamos revoltados com os poderes públicos, os órgãos do sistema de Justiça, as empresas siderúrgicas e a Vale!

 

Pedimos SOLIDARIEDADE, JUSTIÇA, ressarcimento de todos os danos que já sofremos, uma NOVA TERRA para morar, longe da poluição e do barulho, moradia digna, casas de qualidade e serviços públicos básicos para nós e nossos filhos e filhas!

Nessa terra injusta parece que o ferro, as vacas e o lucro têm mais valor do que a vida humana.

QUEREMOS RESPEITO, SOMOS GENTE, QUEREMOS VIVER!

As razões de nossa revolta e indignação

– depois de anos de luta, nossa nova terra e nosso futuro estão nas mãos de três juízes de São Luís. Um julgamento está por acontecer e decidirá se a terra fica para 50 vacas, cujos donos têm muitas outras terras, ou se fica para nós, que somos mais de 1.100 pessoas e não temos opção.

– há 07 anos nossos 21 processos de indenização aguardam julgamento do Poder Judiciário! Por que os pobres têm sempre que esperar tanto?

– o Governo do Estado prometeu muito, enviou secretários de estado e até o vice-governador a nos visitar… Mas até hoje não se comprometeu formalmente a desembolsar nem 1 real sequer para nossas casas!!

– a Prefeitura só desapropriou (finalmente!) um terreno para nós porque foi obrigada. Mas na hora de defender na justiça suas próprias atitudes, fica calada e ainda atrapalha o processo. De que lado está a Prefeitura?

– há laudos e estudos internacionais que denunciam a gravíssima situação da saúde no Piquiá de Baixo. Mas a Prefeitura fechou o posto de saúde de nosso bairro há mais de um ano e nos fornece água somente poucas horas ao dia. Mais uma mulher morreu há pouco tempo de câncer no pulmão, e ninguém se preocupa com nossa saúde!

– as siderúrgicas continuam poluindo nosso ar, nossa água e solo. O barulho não nos deixa dormir. Nossos processos se bloqueiam pela burocracia e os recursos. Mas nem o Ministério Público nem os órgãos ambientais nunca mandaram parar um forno por respeito à nossa vida!

– a Vale fica observando tudo isso e se acha limpa. Mas foi ela que trouxe essas siderúrgicas pra cá e é ela que as alimenta de ferro e escoa sua produção. Se ela tivesse realmente interessada em uma solução, já teria exigido isso das siderúrgicas. Mas não: ela quer duplicar, construir um novo Carajás, passando por aqui. E nós nem aguentamos o primeiro!

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