22/11/2010 12:00 am

MAIS DE 30 MIL PACIFISTAS PROTESTAM CONTRA A OTAN EM LISBOA

MAIS DE 30 MIL PACIFISTAS PROTESTAM CONTRA A OTAN EM LISBOA

Milhares de manifestantes concentraram-se nas ruas de Lisboa neste sábado (20) para protestar contra a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, também conhecida pela sigla NATO) que ocorre neste final de semana em Portugal. “Paz sim, Otan não”, gritavam os mais de 30 mil ativistas pela paz durante a manifestação no centro da capital portuguesa, repetindo o nome de uma campanha de protesto apoiada por 100 organizações pacifistas, sindicatos e partidos de esquerda.

“Pensamos que a Otan é uma organização agressiva e o fato desta cúpula ocorrer precisa de um forte protesto como resposta”, declarou o porta-voz da campanha “Paz Sim, Otan Não”, Gustavo Carneiro.

As reuniões da Aliança Atlântica, onde participam presidentes como o americano Barack Obama, o russo Dimitri Medvedev e o afegão Hamid Karzai, ocorrem em um complexo próximo ao rio Tejo, a nove quilômetros do centro de Lisboa.

Apesar do forte aparato militar que acompanhou a passeata, os milhares de manifestantes desceram pacificamente a Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa. Durante o protesto não foram registrados confrontos. Os manifestantes partiram do Marquês de Pombal e dirigiram-se lentamente para os Restauradores, numa mancha multicoloridade que agregou gente de diversas forças políticas, com destaque para os comunistas portugueses e a juventude que compareceram em peso ao protesto.

Além das bandeiras e dos cartazes contra a Otan e pela paz, havia vários carros alegóricos com bombas e mísseis de plásticos com várias mensagens pela paz e contra a guerra. 

Além do protesto contra a Otan, os portugueses também aproveitaram para relembrar críticas contra o governo português, a crise e o desemprego que afetam vários países da Europa. 

No final da marcha, falaram aos manifestantes Helena Barbosa, do Conselho Nacional Preparatório do 17.º Festival Mundial da Juventude e Estudantes, Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), Graciete Cruz, da Comissão Executiva e do Secretariado do Conselho Nacional da CGTP e Rui Namorado, em nome da campanha. A atriz e “combatente pela paz” Maria do Céu Guerra leu a declaração final da manifestação contra a Otan.

Em seu discurso, Socorro Gomes disse que” enquanto os chefes de estado de países imperialistas se reunem para engendrar novos crimes contra os povos e preparar a Otan para emprerender novas agressões à liberdade, à independência nacional e a paz, o povo português, numa mostra de combatividade, sai às ruas para defender a paz”.

Presente na manifestação, o candidato à Presidência de Portugal Francisco Lopes (PCP) defendeu a dissolução da organização internacional, considerando que deve ser constituído um sistema de segurança mundial baseado no entendimento. O candidato do PCP disse que se associou à manifestação porque este deve ser o posicionamento do Presidente da República. “De acordo com a Constituição, a atitude do Presidente da República deve passar, não por uma linha de favorecimento da agressão e da guerra, mas sim intervir para que seja salvaguardada a paz”, afirmou.

Para Francisco Lopes, isto “implica a dissolução dos blocos político-militares e um contributo para a dissolução da Otan”. O candidato afirmou ainda que a reunião de cúpula que decorre em Lisboa “não representa um passo no sentido positivo”. “Esta cúpula, além de consagrar aquilo que tem sido a postura desta organização, defende agora um conceito estratégico que propõe uma intervenção de forma ainda mais agressiva em todas as partes do mundo”, sustentou.

Por estes motivos, o candidato presidencial defendeu a dissolução do organismo internacional, a construção de um sistema de segurança mundial baseado no entendimento e na cooperação entre os povos e os países.

O que é a Otan

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO), por vezes chamada Aliança Atlântica, é uma organização internacional com caráter agressivo e de intervenção militar estabelecida em 1949 em suporte do Tratado do Atlântico Norte assinado em Washington a 4 de Abril de 1949. Os seus nomes oficiais são North Atlantic Treaty Organization (NATO), em inglês, e Organisation du Traité de l’Atlantique Nord (OTAN), em francês. Em Portugal utiliza-se mais frequentemente a palavra NATO (sigla em inglês) por, paradoxalmente, se parecer mais com uma palavra portuguesa. O seu secretário-geral é, desde 1 de Agosto de 2009, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen.

A organização foi criada no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de constituir uma frente oposta ao bloco socialista, que, aliás, poucos anos depois lhe haveria de contrapor o Pacto de Varsóvia, aliança militar do leste europeu. Com o desmoronamento do Bloco de Leste no final dos anos 1980, surgiu a necessidade de redefinição do papel da OTAN no contexto da nova ordem internacional, pois o motivo que deu origem ao aparecimento da organização e o objetivo que a norteou durante quatro décadas desapareceram subitamente.

A organização dedicou-se, então, a se tornar o eixo da política de segurança de toda a Europa e América do Norte, mantendo uma linha de intervencionismo militar e alinhamento total com a política imperialista dos Estados Unidos e potências européias.

Atualmente, os Estados que integram a Otan são a Albânia, Alemanha (República Federal da Alemanha antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos da América, a França, a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polónia, República Checa, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovénia.

Da redação,
com agências

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=141977&id_secao=9

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