21/07/2010 12:00 am

MAIORIA DA POPULAÇÃO NÃO TEM ESGOTO TRATADO. CIDADES COM ESGOTO TRATADO GASTAM MENOS COM INTERNAÇÕES

MAIORIA DA POPULAÇÃO NÃO TEM ESGOTO TRATADO. CIDADES COM ESGOTO TRATADO GASTAM MENOS COM INTERNAÇÕES POR INFECÇÕES GASTROINTESTINAIS

Os investimentos para melhoria e expansão da rede de abastecimento de água aumentaram, em média, 12% ao ano no período de 2003 a 2008, passando de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,2 bilhões. Com relação à rede de esgotos, o ritmo de crescimento ficou pouco abaixo, na média de 7,5% ao ano (R$ 1,8 bilhões em 2003 para R$ 2,6 bilhões em 2008).

O estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro foi divulgado ontem (20) pela Instituto Trata Brasil em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Baseado em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades, o levantamento revelou que 57% da população brasileira ainda não têm acesso a esgoto tratado e 19% não contam com o abastecimento de água.


Os trabalhadores de cidades onde toda a população conta com coleta de esgotos eficiente ganham salários, em média, 13,3% acima dos que vivem em municípios onde tais serviços são precários. A conclusão é resultado de análises feitas pela Fundação Getulio Vargas ao elaborar o estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro, a pedido do Instituto Trata Brasil.

Com base em dados da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento informa que a renda média dos trabalhadores é de R$ 930 e que 60% do total, em atividade, vivem em moradias com rede de esgoto.

Segundo os técnicos responsáveis pelo estudo, se os serviços fossem estendidos a todos, o ganho de renda mensal poderia passar de R$ 50 por trabalhador. Foi constatado que, em municípios com acesso limitado a apenas 20% da população, o salário médio é de R$ 885, enquanto nas cidades com acesso universal, o valor sobe para R$ 984.

Além disso, os que têm renda menor também correm mais risco de problemas de saúde. Anualmente, cerca de 217 mil trabalhadores afastam-se de suas atividades por distúrbios gastrointestinais associados à carência nos serviços de saneamento.

Estima-se que a cada caso são perdidas 17 horas de trabalho e que a probabilidade de faltas do trabalhador por diarreia é 19,2% mais baixa entre as pessoas com acesso à rede coletora. Essas ausências geram custos no valor de R$ 238 milhões por ano em pagamento de horas não trabalhadas.

A pesquisa também mostra que nos locais atendidos pela rede de esgoto os imóveis podem ser, em média, até 18% mais valorizados e que os investimentos em obras de saneamento retornam, parcialmente, ao Estado na forma de pagamentos de impostos como o Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI).

Com informações do Datasus, a FGV constatou também que o setor público poderia economizar nas internações por infecções gastrointestinais. No ano passado, 462 mil pessoas foram hospitalizadas e 2,1 mil morreram. O custo de internação é de R$ 350, em média.

Os técnicos calculam que a universalização dos serviços de saneamento permitiria reduzir em 25% o número de internações e em 65% os índices de mortalidade.

Para o presidente do Trata Brasil, André Castro, seriam necessários investimentos anuais de R$ 15 bilhões para combater o déficit no setor e universalizar o atendimento até 2025. ” Hoje o ritmo está na metade disso e é preciso aumentar a velocidade de forma constante”. Nessa projeção, informou Castro, foram levados em conta os investimentos em expansão da rede (R$ 160 bilhões) e o restante na absorção do aumento da população e troca dos sistemas antigos.

No ranking de 81 cidades analisadas, Jundiaí (SP) ocupa a melhor posição. Em 2003, o município estava no 50º lugar, mas, de lá para cá, aumentou os investimentos em 63% na coleta de esgoto e 57% no abastecimento de água. A pior situação é a de Porto Velho, onde não existe esgoto tratado e apenas 2,1% da população têm acesso à rede e 61%, à água.

Reportagem de Marli Moreira, da Agência Brasil, publicada peloEcoDebate, 21/07/2010

FONTE: http://www.ecodebate.com.br/2010/07/21/maioria-da-populacao-nao-tem-esgoto-tratado-cidades-com-esgoto-tratado-gastam-menos-com-internacoes-por-infeccoes-gastrointestinais/

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