31/03/2011 12:00 am

JOSÉ DIRCEU: O ESTADÃO CONTRA A REFORMA AGRÁRIA. SEMPRE

Numa contra-ofensiva ao que costuma chamar de “abril vermelho”, mês de número maior de ações do MST, a imprensa desfecha – particularmente oEstadão nos últimos 2 dias – uma série de ataques ao movimento.

Por José Dirceu

Não chega a ser nenhuma novidade já que ela se pauta assim, sempre, contra a reforma agrária e é um dos braços mais importantes dos conservadores em sua tentativa permanente de criminalizar os movimentos sociais.

Estadão, nesta terça-feira (29), dizia que o MST vive uma crise e vê cair o número de acampados. Eram 400 mil no 1º ano do governo Lula e não chegam a 100 mil agora; e que o total de acampamentos é oito vezes menor hoje no país – eram 285, em 2003, primeiro ano de gestão do PT e despencaram para 36 em 2009.

Jornal vê problema onde emprego trouxe solução

Nesta quarta-feira (30) um dos principais analistas de economia do Estadão, jornalista Celso Ming, em artigo sobre a queda do número de acampados e acampamentos, critica o governo pregando que “o caldo de pobreza em que o MST sempre buscou seus integrantes se resolve com políticas de renda e emprego, não com distribuição de terra”.

Mas, é exatamente isto que o governo Lula fez e o da presidenta Dilma Rousseff dá continuidade: um dos focos centrais da política econômica dos dois é a geração de emprego e renda. Ming, aparentemente não leu, mas o próprio jornal, pela voz dos dirigentes do MST era obrigado a reconhecer e a publicar na terça-feira que a queda no total de acampamentos e acampados tem como principal causa “o crescimento do número de empregos no país, especialmente na construção civil”.

Celso Ming e o jornal em que trabalha estão completamente equivocados. A política de distribuição de terras improdutivas ou devolutas está na Constituição e é regra em todo mundo. Faz parte de todo e qualquer programa de emprego e renda desenvolvido por todo governo, minimamente, sensível à questão social.

Outra questão – essa sim, eu acho que deveria estar sendo discutida – é como, quando, a forma e onde fazer reforma agrária ou distribuir terras, num país como o Brasil onde a agricultura familiar é fundamental para o abastecimento e para a produção mesmo de cereais.
Num país como o nosso não dar atenção à pequena propriedade familiar e não fazer distribuição de terras é cegueira política ou puro preconceito ideológico

Fonte: Blog do Zé

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150732&id_secao=6

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