4/02/2011 12:00 am

FSM DE DACAR DISCUTIRÁ ECONOMIA DE PAÍSES AFRICANOS

FSM DE DACAR DISCUTIRÁ ECONOMIA DE PAÍSES AFRICANOS

As economias dos países africanos ao sul do Saara, em conjunto, devem crescer algo em torno de 5,5% este ano, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para 2012, a previsão é de resultados parecidos (5,7%). Os dados constam do Relatório Global de Estabilidade Financeira e Previsões Econômicas e Financeiras para 2011.

O contexto econômico africano será debatido no Fórum Social Mundial (FSM), em Dacar, no Senegal, que acontecerá entre os dias 6 e 11 de fevereiro. “A recuperação econômica continua a fazer-se a um ritmo mais lento nas economias avançadas, e muito mais rápido nas economias emergentes”, disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard. 

O crescimento global em 2011 está projetado para 4,4% e 4,5% no próximo ano. Mas o conjunto dos países ricos deve crescer apenas 2,5% por ano até 2012. Como a região depende fortemente da ajuda financeira desses países, um corte de financiamentos traria consequências na projeção de crescimento.

Mesmo assim, o FMI indica que as perspectivas são boas. O crescimento subsaariano destaca-se também pelo fato de outras regiões terem sido mais severamente atingidas pela desaceleração dos últimos anos, forçada pela crise nascida nos países ricos. 

“Os principais fatores foram a minimização e diminuição do número de conflitos civis internos — que têm efeito devastador sobre a economia [além das questões humanas] — e um processo de escolha de políticas mais apropriadas”, afirma Victor Duarte Lledo, representante do FMI em Moçambique. “Boa parte desses países conseguiu controlar melhor a inflação, por meio de políticas fiscais mais sustentáveis”, completa.

Reformas

De acordo com o representante do FMI, reformas importantes, “principalmente nos marcos regulatórios”, ainda precisam ser aceleradas, para sustentar esse crescimento no médio prazo. Segundo ele, também é preciso “aumentar o acesso ao crédito de pequenas e médias empresas e lidar com a questão de déficit de infraestruturas públicas, que são essenciais para complementar o investimento privado.”

O pesquisador Dipac Jaiantilal diz ser um começo. “Algumas reformas que foram feitas nos países africanos têm sido muito positivas. A procura dos investidores externos tem sido grande. E há um take off de alguns países, que saíram de um período de guerra — como Moçambique e Angola —, e que ajudam no crescimento de África”.

Jaiantilal afirma que, no entanto, ainda é difícil sentir a divisão dessa nova riqueza. “Na maioria dos casos, o crescimento tem sido muito concentrado, com poucos empregos e poucas grandes empresas. A base social de benefício desse crescimento é muito reduzida.”

“Veja o caso de Moçambique”, destaca o pesquisador, doutor em economia e coordenador do Instituto de Investigação Cruzeiro do Sul, de Maputo.“Não houve de redução da pobreza significativa, embora o crescimento tenha sido elevado, a taxa de média de 8% a 9%. Ainda há muito que fazer no campo de distributivo e redistributivo”, acredita.

Para dividir melhor a riqueza, Victor Duarte Lledo cita como exemplo o que o ocorreu no Sudeste da Ásia. “Eles voltaram-se para exportação, por meio de reformas no ambiente de negócios, comércio, financiamento de pequenas e médias empresas.” Mas, segundo ele, já há algum avanço na redução da pobreza em países como a Uganda e a Etiópia.

Como boa parte da África depende economicamente da exploração de recursos minerais, o representante do FMI acredita que a atenção ao setor precisa ser maior. “É um grande benefício potencial, mas tem gerado problemas de governança, às vezes de competitividade. É preciso taxar o setor de forma apropriada, para que esse dinheiro possa financiar o combate aos déficits que eles tenham, com sistema de orçamento transparente”.

Fonte: Agência Brasil

 

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146843&id_secao=8

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