9/09/2010 12:00 am

FRANCESES LUTAM CONTRA CERCEAMENTO DE DIREITOS DOS TRABALHADORES

FRANCESES LUTAM CONTRA CERCEAMENTO DE DIREITOS DOS TRABALHADORES

Dois milhões e meio de pessoas saíram às ruas em Paris e outras cidades francesas na terça-feira (7), em uma greve nacional que foi amplamente seguida por todo o país, para repudiar o projeto do presidente Nicolás Sarkozy (já alçado à Assembleia Nacional) que aumenta a idade para a aposentadoria.

Por Niko Schvarz

Em 15 de setembro haverá outra greve geral e manifestações com o mesmo objetivo. Em essência, o objetivo destas ações de luta é o mesmo que mobilizou a classe operária e o povo grego contra o plano de governo de Papandreu (e da União Europeia) de sair da crise cerceando a legislação social e os direitos dos trabalhadores.

E é o mesmo que colocarão em marcha os sindicatos espanhois, Comissões Operárias e UGT, em sua já anunciada greve nacional de 29 de setembro, em repúdio a uma reforma trabalhista “inoportuna, injusta e lesiva”.

Em vários países da Europa, como se vê, estão sendo cozidas as mesmas favas. No caso da França, além disso, a massiva jornada de protesto (que se expressou na paralisação da edição da mídia impressa, na paralisação de boa parte dos transportes, inclusive aviões e metrô, nos hospitais, nas escolas e no setor público, tudo isso em uma proporção maior à verificada no dia 24 de junho passado) tem outras duas causas de repúdio à política do presidente Sarkozy: uma, sua xenofobia galopante, que levou à expulsão de ciganos, um ato vituperado que lhe valeu uma condenação geral, inclusive do parlamento europeu; e os atos clamorosos de corrupção governamental, que envolvem diretamente seu ministro de Trabalho, Eric Wörth (que foi em determinada época tesoureiro de seu partido, e é o encarregado de levar adiante a reforma das aposentadorias), metido até as orelhas na maracutaia com a herdeira milionária da L’Oreal, Lilianne Bettencourt. 

Este escândalo abriu a Caixa de Pandora do financiamento ilegal dos partidos, em primeiro lugar a UMP de Sarkozy. Pode somar-se a isto, todavia, como terceiro motivo, as medidas repressoras adotadas por Sarkozy em matéria de segurança pública, para obter a adesão de eleitores da Frente Nacional.

Leia aqui o fragmento inicial da crônica de um correspondente em Paris: “Em um dia ensolarado logo após as férias, a Praça da República estava transbordando de manifestantes. Não eram os tradicionais jubilados convocados pela Intersindical, mas sim uma mistura de avós, netos, pais, filhos, bisnetos em carrinhos de bebê, crianças em bicicletas, de skate ou patins, reunidos em uma das maiores marchas que Paris viu desde os protestos contra a invasão do Iraque em 2003”.

“Não só estavam presentes os operários como também a classe média em massa e os empregados do Estado, especialmente dos hospitais e o setor social. Ao ritmo de vuvuzelas, que ensurdeciam por cinco euros, música tecno que saía das vans, que encabeçavam cada coluna e também com a participação de uma escola de samba brasileira, solidária e em marcha no que se podia dizer ‘festa de protesto'”.

A mobilização aconteceu nas grandes cidades francesas, onde foram gerados vários problemas com o transporte, nos voos desde e para a capital, nas escolas e em algumas grandes empresas. Analistas estimaram previamente que se fossem menos de dois milhões de manifestantes, então Sarkozy teria superado o braço de ferro com os movimentos sociais. No entanto, ao superar a meta, forçaram o governo a anunciar concessões.

Embora o premiê tenha anunciado que manteria a base de seu programa de reforma das aposentadorias, em particular a passagem da idade mínima de 60 para 62 anos, posteriormente o Palácio do Eliseu admitiu a possibilidade de manter, em alguns casos, a idade mínima de 60 anos (por exemplo, para aqueles que têm um certo grau de incapacidade, os que passaram por carreiras prolongadas e os que têm várias pensões).

A próxima greve geral, de 15 de setembro, propõe um alcance ainda maior que a de quarta-feira e avaliará o estado do movimento.

O tema em debate é extremamente sensível, já que as conquistas em matéria de legislação social existem desde a época da Frente Popular, de 1936. Alguns dos manifestantes diziam que seu objetivo era “permanecer vivos até a aposentadoria, para poder desfrutar a vida”, que havia uma massa de pensões “realmente miseráveis”, que o projeto colocava em perigo os valores da solidariedade, e que deviam resolver-se simultaneamente os problemas de trabalho: o dos jovens que não têm trabalho e o de maiores de 50 anos que ninguém contrata.

Fonte: La República

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=9&id_noticia=136661

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