20/12/2012 12:00 am

Foro agrário colombiano: pluralidade e consenso

Foro agrário colombiano: pluralidade e consenso

 

A paz com justiça social é o consenso dominante no foro de desenvolvimento integral depois de dois dias de abordagem plural de um tema de múltiplas arestas como é o resgate e a democratização da terra.

 

Com a participação e 1.200 representantes da sociedade civil, este tema transformou-se em tese de fundo comum aos 16 setores representativos do campo colombiano presentes no evento, a partir de um diálogo gerador de opiniões diferentes, de coincidências e dissensos, enriquecedores do debate.

 

Uma das intervenções de maior impacto foi a de Olga Lucía Quintero, porta-voz da Associação Campesina do Catatumbo (Ascamcat), e a Associação Nacional de Zonas de Reserva Campesina (Anzorc), intitulada ”A paz dos camponeses é a paz com justiça social”.

 

Em sua exposição, Quintero rechaçou a Lei de vítimas promovida pelo governo do presidente Juan Manuel Santos.

 

“Longe de restituir-nos a terra, com esta lei no máximo nos darão títulos de propriedade, para entregá-la assegurada aos grandes empresários nacionais e estrangeiros, dos quais nos dizem, como piada de mau gosto, que nos converterão em empresários” sublinha o texto.

 

“É um mote com o qual ocultam uma renovada forma de exploração de nossa força de trabalho”, pontua.

 

“Não só reclamamos a redistribuição da terra, mas também a redistribuição de toda a riqueza que os trabalhadores colombianos construímos no dia-a-dia”.

 

“Reclamamos a redistribuição do poder, mas não esse a que estamos submetidos, o que oprime, discrimina e exclui, que despoja e arrasa a vida, e teme a diversidade” destaca.

 

A líder camponesa chamou toda a sociedade, “os excluídos, os esquecidos, os professores, as donas de casa, os estudantes, os comerciantes, todos os que contribuem para a riqueza do país com seu trabalho, a mobilização social em busca da paz, a apropriar-se dos destinos do país”.

 

“Aos setores aferrados ao poder e à riqueza dizemos hoje: não temam o poder das bases, não temam a controvérsia de ideias, a diversidade e a criatividade, a construção soberana e democrática de nossa história”.

 

“Não temam a riqueza e a terra bem repartidas, não temam a justiça social”, postulou.

 

Em declarações exclusivas à agência Prensa Latina, David Florez – um dos porta-vozes do Movimento Marcha Patriótica e participante no foro -, assinalou que um dos aspectos mais reiterados foi o da concentração da terra que, de acordo com o índice Gini (medidor da distribuição desigual) ascende a 0,8.

 

Junto a isso, apareceu o tema de uma contrarreforma agrária que despojou os camponeses de entre oito e 10 milhões de hectares de terra, assim como a precariedade da infraestrutura existente e a extrema pobreza de que padecem 13 milhões de camponeses, privados de seus direitos humanos elementares.

 

Outra das constantes, afirmou Florez, foi a restituição de sua condição de cidadãos aos camponeses, negada através dos anos, e a construção de figuras jurídicas que os respaldem e preservem nas interrelações territoriais com fórmulas que solucionem, sem conflitos, os direitos de comunidades étnicas como as indígenas e afrocolombianas.

 

Também a necessidade de construir um modelo de desenvolvimento agrário, a partir necessariamente de um modelo mais equitativo de desenvolvimento social do país, que apague as desigualdades, e garanta o direito à educação, à água potável, e à saúde, entre outros direitos fundamentais.

 

Outro reclamo comum foi igualmente o cessar-fogo bilateral enquanto durem as conversações de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, com vistas à criação de uma atmosfera que facilite os avanços.

 

Paralelamente a isso, a necessidade de ampliar a participação da sociedade civil, tanto nos diálogos que transcorrem em Havana, Cuba, como em uma eventual construção futura dessa paz na qual estão depositadas todas as esperanças coletivas.

 

Organizado pela ONU e a Universidade Nacional da Colômbia – a pedido da mesa de Havana -, participam no foro organizações sociais, movimentos civis e políticos, femininos e estudantis, de vítimas e desalojados, defensores dos direitos humanos, associações empresariais, igreja, ONGs, sindicatos, programas de desenvolvimento e paz, de iniciativas nacionais e regionais, entre muitos outros.

 

Prensa Latina

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=201802&id_secao=7

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