15/09/2010 12:00 am

FIM DO MITO: SUJEIRA DO DESENVOLVIMENTO EM VITÓRIA

FIM DO MITO: SUJEIRA DO DESENVOLVIMENTO EM VITÓRIA

Nos últimos dias, Vitória foi o centro das atenções, por seus 459 anos. Mas a informação que deveria ser a mais importante para os moradores da cidade passou batida. A mídia corporativa não deu a devida atenção, nem os órgãos responsáveis. Pois deveriam. 
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não mentem. 
A poluição do ar em Vitória já supera a cidade de São Paulo

, cidade mais populosa do País e famosa por seu intenso fluxo de veículos. E o motivo, há décadas alertado por ambientalistas, é óbvio: a emissão de poluentes pelas empresas Vale e ArcellorMital, que causam doenças em mais da metade absoluta dos moradores da região metropolitana.

Para quem não conhece Vitória, a imagem é de uma cidade com qualidade de vida. Aos serem informados do atual estudo do IBGE, em um primeiro momento, geraria até desconfiança entre os desavisados, exatamente por conta dessa propaganda vendida em todo o Brasil, mas que nunca passou de um evidente engano.

Quem mora na Capital do Estado de ES, principalmente nos locais mais afetados pela poluição, devido à direção nordeste dos ventos, está acostumado a ter que se livrar do incômodo pó preto, dia e noite, e certamente não compartilha dessa visão equivocada. Menos ainda aqueles que sofrem de doenças respiratórias constantemente, para não falar dos casos mais sérios, pois, dos 59 poluentes emitidos, há também os cancerígenos.

No ranking nacional, Vitória ficou atrás apenas de Brasília, que até então também era considerada uma cidade com qualidade de vida. Na Capital do País, o problema é agravado pelas condições climáticas e as queimadas no seu entorno. Também chamou atenção a colocação de Curitiba, com emissões acima dos níveis previstos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

Por aqui, os índices de concentrações de partículas totais em suspensão (PTS) e partículas inaláveis (PM10) seguem na contramão de muitas outras cidades avaliadas, que têm registrado declínio desses poluentes. Os resultados de Vitória, referentes a 2008, mostram que o cenário está também acima do limite máximo previsto pelo Conama.

De lá pra cá, a situação, se mudou, foi para pior, levando-se em consideração os projetos de expansão das poluidoras e praticamente nenhum avanço em ações de minimização dos impactos. A não ser as instalações de telas Wind Fencer pela Vale, mesmo assim ainda em processo de instalação, depois de muita luta da sociedade. Não há nada mais nesse sentido. A ArcellorMital, aliás, se nega a assumir o mesmo compromisso, que já vem com décadas de atraso e omissão do governo do Estado.

A poluição do ar em Vitória é denunciada há décadas por entidades ambientalistas e moradores, sem providências. Enquanto os capixabas ficam suscetíveis a doenças e à sujeira em suas casas, o governo Paulo Hartung insiste em defender e apoiar os grandes projetos poluidores, valendo-se, para isso, de argumentos frágeis. Ao ponto de, diante de tantas evidências, ainda classificar a qualidade do ar como satisfatória, e debitar o problema aos automóveis, mesmo abrigando empresas com grande potencial de lançar concentração de gás carbônico na atmosfera, provocando o efeito estufa.

Nunca é demais lembrar que as previsões futuras são ainda mais alarmantes, com os projetos já autorizados ou em processo de licenciamento no Espírito Santo. Somando todos eles, da Samarco, Vale, ArcellorMital e Belgo, a concentração de CO2 poderá chegar à média assustadora de 152 milhões de toneladas/ano, a partir do próximo ano.

Os números são oficiais, e de instituição com credibilidade. Não há mais como ignorá-los. A máscara caiu.

Fonte: Seculo Diário – Espirito Santo – 09/09/2010; por Manaira Medeiros, jornalista e especialista em Educação e Gestão Ambiental

FONTE: http://www.justicanostrilhos.org/nota/527

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