25/04/2012 12:00 am

Estudantes voltam a protestar no Chile, apesar de medidas do governo

Estudantes voltam a protestar no Chile, apesar de medidas do governo

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Cerca de 50 mil estudantes protestaram nesta quarta-feira nas ruas de Santiago, no Chile, pedindo melhoras na educação superior. Os atos acontecem no dia em que o presidente Sebastián Piñera anunciou mudanças no financiamento educacional e uma reforma tributária para aumentar a verba para as universidades.

De acordo com a polícia, o número de manifestantes foi menor, cerca de 25 mil. O protesto teve a participação do presidente da Federação de Estudantes da Universidad de Chile (Fech), Gabriel Boric, e da porta-voz da organização e um dos símbolos das reivindicações dos universitários, Camila Vallejo.

“Isso demonstra que continuamos lutando e que somos muitos. Continuamos fazendo história, nós não vamos nos calar na luta para que a educação seja um direito do povo”, afirmou Boric.

“Queremos que 2011 não seja só um parêntese, mas a fundamentação de um movimento que continue com o tempo”, disse o presidente da Federação de Estudantes da Universidad Católica (Feuc), Noam Titelman.

De acordo com os organizadores, o ato tem a intenção de pedir que os estudantes também sejam parte da discussão das políticas públicas de educação do governo chileno. Os atos também aconteceram em cidades como Concepción e Valparaíso, as duas maiores do interior do país andino.

MEDIDAS

Em meio aos protestos, o presidente Sebastián Piñera anunciou um projeto de reforma tributária cujos recursos serão destinados a aumentar a verba das instituições de ensino superior.

“Graças a essas medidas, nenhum jovem no Chile, nunca mais, ficará fora da educação superior por falta de recursos. Isso é algo que me enche de orgulho”.

Na segunda (23), o Ministério da Educação apresentou um projeto que cria um novo sistema e financiamento para as universidades que retira os bancos privados do programa.

O novo sistema criará uma agência pública que fará empréstimos com taxa única de 2% de juros ao ano que, de acordo com o Ministério da Educação, atingirá 90% dos estudantes do ensino superior.

Os alunos começarão a pagar as parcelas do crédito quando começarem a trabalhar, tendo um prazo de 15 anos para terminar com a dívida.

“Em termos práticos, significa que os fundos virão do Estado e os bancos deixarão de financiar a educação superior”, afirmou o titular da pasta, Haral Beyer.

No entanto, apesar de valorizar a medida, Gabriel Boric considerou a medida insuficiente. “O que dizemos é que os estudantes não querem continuar endividados e o que estamos propondo basicamente é a mudança de credor. A educação continua não sendo um direito, mas um bem de consumo”.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1081348-estudantes-voltam-a-protestar-no-chile-apesar-de-medidas-do-governo.shtml

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