18/11/2010 12:00 am

ENTREVISTA: CARLOS NOBRE (DIRETOR DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS)

ENTREVISTA: CARLOS NOBRE (DIRETOR DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS)

“Quanto mais sucesso tivermos em reduzir as emissões brasileiras, mais liderança internacional adquirirmos e quanto mais exercermos esta liderança internacional, mais instrumentos teremos para continuar a reduzir as emissões nacionais”, afirma Carlos Nobre, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Na entrevista a seguir, ela fala das expectativas em relação à COP 16, em Cancun.

Qual a importância desta conferência para o Brasil avançar em suas políticas internas de mitigação às mudanças climáticas?

A Rio+20, em 2012, poderá ser um novo momento para buscar avanços significativos na Convenção e conseguir vencer a frustração da COP15 em Copenhague. Para isso, há que se construir um caminho de entendimento começando na COP16 em Cancun e, continuando na COP17, na África do Sul, em 2011. Quanto mais o Brasil avançar em suas políticas internas de mitigação, tanto mais credenciado estará para exercer crescente liderança no processo das negociações. Assim, uma coisa realimenta a outra: quanto mais sucesso tivermos em reduzir as emissões brasileiras, mais liderança internacional adquirimos e quanto mais exercermos esta liderança internacional, mais instrumentos teremos para continuar a reduzir as emissões nacionais.

Que contribuições mais importantes o Brasil tem a dar no debate internacional que se vai travar na COP 16?

O Brasil é um dos líderes nas discussões sobre REDD e vai ajudar a fazer as negociações chegarem a bom termo.

O senhor se diz muito otimista em relação à proposta de REDD que pode sair da COP 16. Por quê?

Otimista, sim, mas não excessivamente. Copenhague nos ensinou a não sermos otimistas além da medida. Entretanto, há vários fatores objetivos de avanço nas negociações do chamado REDD+ durante o ano de 2010 que apontam para um acordo. Entre eles, a bem-sucedida finalização da COP10 da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), no Japão. Desnecessário dizer da estreita ligação entre REDD+ e os objetivos da CDB e o papel do Brasil para a consecução de ambos. Ao reduzir os desmatamentos, protege-se de maneira importantíssima a biodiversidade tropical.

O INPE tornou-se uma referência no monitoramento do desmatamento nas florestas tropicais. Quais as próximas ações do instituto e que poderão beneficiar o Brasil e os demais países interessados em reduzir suas emissões de GEE?

Há várias ações e iniciativas que estão sendo tomadas pelo INPE para apoiar o Brasil e outros países a monitorar as alterações da vegetação. Internamente, o INPE, em colaboração com várias universidades, desenvolve um sistema para estimar anualmente a emissão advinda de mudanças dos usos da terra e da cobertura vegetal. Um protótipo para estimar emissões de desmatamentos da Amazônia já se encontra em testes. Agora, é necessário estender tal modelo de estimativa de emissões para todos os biomas do Brasil, iniciando pelo Cerrado. Para tanto, se utilizará bases de dados de vegetação do Inventário Nacional de Emissões, recentemente lançado pelo MCT, e novos levantamentos, de modo a gerar estimativas de emissões anuais. Posteriormente, este sistema será estendido para os demais biomas.

Em parceria com um instituto de pesquisa internacional (Planetary Skin Institute), o INPE planeja estender este modelo de emissões para toda a Amazônia e transferi-lo para os países vizinhos nos próximos dois anos. Pretende-se estendê-lo para regiões tropicais da África. 

Quais são os planos em relação ao lançamento do Satélite Amazônia 1?

Em menos de dois anos, o INPE lançará o satélite Amazônia 1, voltado para o monitoramento da superfície dos países tropicais e que aumentará significativamente nossa capacidade de observar alterações de vegetação. A política de dados do INPE tem sido aberta, isto é, todos os países tropicais se beneficiarão dos dados deste novo satélite de observações.

Quanto é possível reduzir em termos de emissões com cada hectare de floresta preservada?

Na Amazônia brasileira a quantidade de carbono varia espacialmente. Algumas florestas de transição armazenam cerca de 80 toneladas de carbono por hectare, enquanto outras florestas densas podem acumular mais de 160 toneladas de carbono em um hectare. Em média, pode-se dizer que um hectare armazena aproximadamente 120 toneladas de carbono. O expressivo declínio de desmatamento entre 2004 (cerca de 27 mil km2 desmatados) e 2009 (7,5 mil km2 desmatados) significou que se deixou de emitir cerca de 700 milhões de toneladas de CO2-equivalente neste período, considerando uma linha de base de emissões de 19,5 mil km2 (desmatamento médio de 1996-2005).

FONTE: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2010/11/18/entrevista-carlos-nobre-diretor-do-instituto-nacional-de-pesquisas-espaciais

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