4/11/2010 12:00 am

ENSINO ESTRUTURADO MELHORA SISTEMA EDUCACIONAL DO MA

ENSINO ESTRUTURADO MELHORA SISTEMA EDUCACIONAL DO MA

Programa Alfa e Beto de alfabetização, do Governo Federal e desenvolvido em diversos municípios maranhenses com apoio do Governo do Estado, elevou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica da rede pública em 2009

O Governo do Maranhão pode comemorar os avanços alcançados pelas políticas educacionais implementadas. O último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) permite antecipar um pouco as avaliações que serão feitas hoje por cerca de 60 secretários municipais de Educação.

Eles estarão reunidos em São Luís para analisar os resultados obtidos com o Programa Alfa e Beto de Alfabetização, intensificado este ano em suas redes por causa da parceria das prefeituras com o Governo do Estado e o Instituto Alfa e Beto (IAB).

O Ideb de 2009 indica que os municípios que, por iniciativa própria, levaram mais tempo adotando o programa obtiveram, em geral, avanços mais expressivos que os demais.

Lagoa do Mato e São José de Ribamar, por exemplo, que executam o Alfa e Beto desde 2005, elevaram o Ideb do 5° ano, respectivamente, em 1,4 pontos e 0,8 pontos, uma melhora bem superior ao avanço médio de 0,2 registrado pelo conjunto das escolas do Maranhão.

Nos dois municípios, 2009 foi o primeiro ano em que a Prova Brasil, que origina o Ideb, avaliou alunos que haviam sido alfabetizados pelo programa. “Não temos dúvida em atribuir os avanços ao Programa Alfa e Beto. Nossas avaliações mostram que o desempenho dos alunos do 5° ano que vieram de outros municípios ficou bem abaixo do desempenho dos que estão conosco desde 2005”, explicou a secretária de Educação de Lagoa do Mato, Aldaíres Guimarães Lopes, acrescentando que a alfabetização é a base de tudo.

Elevação – Enquanto o Ideb do Maranhão (5° ano) ficou praticamente estável entre 2007 e 2009 (foi de 3,7 para 3,9); em Lagoa do Mato, saltou de 2,9 para 4,3 – o segundo maior avanço do estado.

Em São José de Ribamar, o índice foi de 3,5 para 4,6, superando, portanto, a média nacional. Há dois anos, o município inaugurou o Liceu Ribamarense, a primeira escola pública de período integral do estado.

Ali, o Ideb médio dos alunos chegou a 6,6, ultrapassando a meta nacional estabelecida pelo Ministério da Educação para as escolas públicas em 2021 (de 5,8) e mesmo a média atual (6,0) obtida pelos estudantes de países desenvolvidos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, exame equivalente ao Ideb.

“Até 2004, 40% dos alunos da rede municipal de São José de Ribamar chegavam ao 4° ano sem saber ler e escrever. Em 2009, 83% de nossas crianças acabaram o 1° ano alfabetizadas”, destacou o prefeito Luis Fernando Silva.

Positivo – Educador de origem, o prefeito implantou o Programa Alfa e Beto na rede municipal desde o início de sua administração, em 2005. Os bons resultados motivaram a adoção, já no ano seguinte, do programa de ensino estruturado de Língua Portuguesa do 2° ao 5° ano.

A secretária de Educação de São José de Ribamar, Carla Galvão, lembrou que os programas enfrentaram resistência inicial dos docentes.

“Os professores estavam acostumados a trabalhar à vontade e o ensino estruturado impõe disciplina, obriga a cronometrar o tempo porque estabelece várias tarefas para cada aula, os conteúdos que precisam ser cobertos a cada semana, além das avaliações externas que monitoram os resultados”, explicou.

Aceitação – Em Lagoa do Mato, a aprovação aos programas de ensino estruturado entre os professores é hoje quase unânime. A professora Maria Cleumídia da Costa, que já alfabetizava antes do Programa Alfa e Beto, disse que sentiu bem a diferença.

“Antes, eu conseguia 70% dos alunos lendo na 1ª série, aos 7 ou 8 anos. Com o Alfa e Beto, consigo entre 90% e 100% no 1° ano, embora as crianças tenham um ano menos. Os alunos adoram, até fazem mais lição de casa. Com isso, a repetência em todas as séries do ensino fundamental caiu muito”, ressaltou a professora.

Sanclay da Silva, que começou a alfabetizar em 2006 e hoje coordena essa área em Lagoa do Mato, é outra entusiasta do Alfa e Beto. “O desempenho dos alunos melhora a cada ano. Os professores adoram, porque o material didático facilita muito a preparação das aulas e estimula os alunos. Os pais se encantam ao ver os filhos lendo em poucos meses”, garantiu a professora.

Etiene Brandão, mãe de Sabrina, que completou 7 anos em outubro, garantiu que a filha lê tudo o que vê e toda semana leva para casa livrinhos da biblioteca da escola.

“Minhas amigas das cidades vizinhas não entendem porque nossas crianças lêem tão bem e as delas não”. Eloá, cuja filha fez 10 anos, já não se surpreende mais com a menina preferir sempre ganhar livros ou histórias em quadrinhos ao invés de brinquedos, mesmo como presente de aniversário.

Mais

No município de Santo Amaro, o entusiasmo é similar, embora a rede municipal tenha começado só este ano a utilizar o Alfa e Beto e o Programa de Aceleração da Aprendizagem (PAA). Foram alfabetizar cerca de 60% das crianças no fim da 1ª série. Este ano a previsão é de que entre 80% e 90% estejam lendo no fim do 1° ano.

Alunos são monitorados em casa pelo professor

Professores e diretores que trabalham com o Programa Alfa e Beto respondem não só pelo desempenho dos alunos, como pela sua freqüência.

“Quando um aluno não vai para a aula dois dias, vamos à casa dele saber por que e exigimos atestado. Se o problema continua, a própria secretária de Educação envia uma intimação e, se for preciso, acionamos o Conselho Tutelar”, informou a diretora da Escola Municipal Reunida Governador Sarney, Maria do Carmo Vasconcelos. Com isso, praticamente não existem mais faltas, só por doença mesmo.

Em contrapartida à cobrança, os professores recebem abundante material didático, com livros de conteúdo e de exercícios para o aluno, além de manuais para ajudá-los a preparar as aulas. Docentes e gestores recebem ainda apoio permanente para fazer o gerenciamento pedagógico.

A melhoria do ensino foi tão perceptível que a demanda por matrículas aumentou em São José.

“Muitos pais começaram a trazer os filhos da rede estadual e até de municípios vizinhos. Tivemos de alugar outra sala para acomodar os novos alunos”, comentou Maria do Carmo.

Sem resistência – Os resultados venceram as resistências e, hoje, a aprovação dos professores é unânime.

“Antes, eu tinha muita dificuldade para alfabetizar e mais de um terço da classe terminava o ano sem ler. Com o sistema fônico do Alfa e Beto, 95% dos m
eus alunos acabavam o 1° ano lendo. Agora, que dou aula no 5° ano, vejo que eles entendem o que estão lendo e organizam bem as idéias para responder aos exercícios”, ressaltou a professora da Escola Reunida Governador Sarney, Sandra Coelho.

Fonte: O Estado do Maranhão

FONTE: http://www.portaldomaranhao.com.br/2007/?pg=ler&id=21731

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