13/11/2012 12:00 am

Encontro sobre questão agrária termina com conferência sobre educação no Campo

Encontro sobre questão agrária termina com conferência sobre educação no Campo

 
A conferencista Célia Regina Vendramini falou sobre a situação da educação atual nas zonas rurais e suas possíveis mudanças

 

ÃO LUÍS – Terminou na última sexta-feira o II Encontro de Estudos e Pesquisas em Questão Agrária e Educação do Campo no Maranhão, com a conferência “Universidade, questão agrária e movimentos sociais do campo: a educação do Campo como formação humana” ministrada pela líder do grupo de pesquisa sobre as Transformações no Mundo do Trabalho e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Célia Regina Vendramini. 

A conferência foi um espaço de análise da situação em que se encontram as regiões agrárias do Brasil em relação à educação, que é um dos fatores mais precários nessas áreas. O Campo, hoje, de acordo com dados do IBGE, possui as maiores taxas de analfabetismo. Enquanto a taxa nas regiões urbanas chega a 7,3%, nas zonas rurais ela chega a 23,2%. A professora Célia Regina Vendramini relatou que a situação das zonas rurais é parte do processo de desenvolvimento, pois pobreza e riqueza são partes do mesmo processo social. 

Na visão dela, para que seja acumulada a riqueza a poucos, muitos são submetidos a trabalhos indignos e ficam longe dos lucros de seu esforço. “O que vemos no Campo é a desigualdade, exploração do trabalho, violência em todos os sentidos, dependência de benefícios sociais do governo, que são ínfimos diante da necessidade do povo. Além disso, os jovens não têm perspectivas, pois a educação é mínima”, frisa Célia Regina. 

A professora ressalta que é muito comum haver fechamento de escolas nas zonas rurais, levando os mais jovens a uma situação de baixa qualificação profissional. Quando essas pessoas não vão para as lavouras, seguir o trabalho dos mais velhos, acabam sendo submetidas a trabalhos degradantes, muitas vezes distantes de suas casas. Além do baixo nível escolar oferecido, quando políticas educacionais chegam a essas áreas, são diferenciadas do modo das zonas urbanas. 

Ela também falou que há a continuidade da política de fechamento e nucleação de escolas rurais, com organização de pequenas escolas em comunidades que contam com reduzido número de crianças em idade escolar, poucas classes e multisséries. “A educação no Campo não pode ser vista como oposição à da cidade, ela deve ter elementos característicos do contexto social e estar fundamentada na educação universal. Deve ser um local de produção do conhecimento que dê perspectivas para os alunos”, defende Célia Regina. 

A conferência focou, ainda, na exposição de outro modo de ver a educação no Campo, que deve, segundo Célia Regina Vendramini, ser um ambiente que permita as possibilidades, não se atrelando apenas à propagação dos chamados saberes tradicionais, pois a realidade presente não deve ser o único critério de educação. 

A conferencista relatou que a Universidade tem papel fundamental nessa desmistificação da visão retrógrada em relação ao Campo, ao realizar pesquisas sobre o que há de novo nesses espaços, vendo quais as contradições e transformações sociais e, também, contribuindo com a formulação de políticas públicas incentivem as escolas a terem conteúdo crítico, além de perspectivas que ajudem a população das zonas rurais a viverem melhor nesta sociedade. 

Após a conferência de encerramento do II Encontro de Estudos e Pesquisas em Questão Agrária e Educação do Campo no Maranhão, houve a realização da Plenária Final e Mística de encerramento. 

Foto: Liliane Cutrim 
Revisão: Késia Andrade

Lugar: Cidade Universitária
Fonte: Liliane Cutrim

http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=40905

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