12/07/2010 12:00 am

EDUCADORES SEM TERRA COBRAM LIBERTAÇÃO DE MILITANTES NA BAHIA

EDUCADORES SEM TERRA COBRAM LIBERTAÇÃO DE MILITANTES NA BAHIA

12 de julho de 2010

Por Paulo A. Magalhães Fº
Da Pàgina do MST

Mais de 600 Sem Terra de todas as regiões da Bahia, reunidos no 16º Encontro de Educadoras e Educadores do MST, em Vitória da Conquista (BA), elaboram esse manifesto para protestar contra a arbitrariedade das prisões políticas no município de Iguaí, no sudoeste do estado.

Abaixo, leia o manifesto.

Nós, mais de 600 Sem Terra de todas as regiões da Bahia, reunidos no 16º Encontro de Educadoras e Educadores do MST-BA, em Vitória da Conquista, nos dias 01, 02 e 03 de Julho, elaboramos este manifesto para protestar contra a arbitrariedade das prisões políticas ocorridas no município de Iguaí, no sudoeste do estado. Nos solidarizamos irmanamente com os companheiros presos na árdua luta pela Reforma Agrária no Brasil.

Prisões arbitrárias

A referida prisão, ocorrida na madrugada do dia 16/05/2010, deu-se em uma emboscada armada pelas polícias Militar e Civil, juntamente com pistoleiros a mando dos supostos proprietários da Fazenda Três Lajedos, Fabiani Borges e Delson Moura. Os Sem Terra foram cercados por pistoleiros e jagunços fortemente armados, que os mantiveram em cárcere privado até a chegada dos policiais. Estes prenderam três carros e seus 10 integrantes. Testemunhas presenciaram o momento em que foram “plantadas” as armas no interior dos veículos.

Uma das testemunhas, que foi presa de moto no mesmo dia e liberada em seguida, Ednaldo Nunes Guimarães, conhecido como Ceará, foi brutalmente assassinado no dia 08/06. Ele foi seguido por dois carros quando saía do acampamento em direção ao povoado de Palmeirinha, sendo executado pelas costas com dezenas de tiros. Os companheiros que o acompanhavam em outras motos presenciaram o crime e conseguiram fugir. Hoje se encontram escondidos e temem por suas vidas, assim como as testemunhas da forjado flagrante de porte de armas. Há rumores de que prefeitos e outros políticos da região estariam envolvidos.

Os militantes presos foram transferidos para o Presídio Regional Newton Gonçalves, em Vitória da Conquista, sob a justificativa de que temiam-se atos populares massivos. Oito ainda se encontram em cativeiro: Antônio Marcos Barbosa dos Santos, Fábio dos Santos Silva, Flávia Silva, Jailton Alves Brito, Walter Rubens de Jesus Santos, Enedino Santos Dias, Marcio de Souza Brito e Benedito Jr.

Ocupação

No dia 22/05, cerca de 300 famílias ocuparam novamente a fazenda Três Lajedos, encontrando-se sob ameaça constante de jagunços e pistoleiros. Várias das acusações armadas contra os Sem Terra foram retiradas, permanecendo a de porte ilegal de armas. A assessoria Jurídica do MST continua tentando obter a revogação ou o relaxamento das prisões ilegais e a anulação do flagrante junto ao Tribunal de Justiça.

Criminalização dos Movimentos

Entendemos essas prisões como parte do processo de criminalização dos movimentos sociais e perseguição a lideranças populares em todo o país. Ao invés de cumprir a Constituição Brasileira, que estabelece a função social da terra, as classes dominantes preferem tratar a questão social como caso de polícia, judicializando conflitos políticos e reprimindo violentamente reivindicações legítimas e democráticas.

Exigimos veementemente a libertação dos companheiros presos. Lutar não é crime, e a Reforma Agrária é a solução mais viável para a geração de empregos no campo, reduzindo o êxodo rural, o inchaço e o aumento da violência nas grandes cidades.

Educação do Campo

Encontramo-nos aqui reunidos discutindo educação enquanto um direito social e universal, debatendo as escolas dos assentamentos e experiências pedagógicas para fortalecer a educação do campo, que é um dever do Estado brasileiro. Através da educação, formamos novos sujeitos, portadores de saberes emancipatórios que propiciam a compreensão e a transformação de sua realidade. Como dizia Nelson Mandela, “Educação é a arma mais poderosa que você pode usar para transformar o mundo”.

Solidariedade

Não podemos estar todos fisicamente presentes no presídio, porque as regras de lá não permitem, mas nos fazemos presentes de alma e coração, pois a luta destes companheiros presos é também a nossa luta, e a história absolverá os guerreiros presos em campo de batalha. Continuamos lutando pela Reforma Agrária e transformação social, seja na sala de aula, no cabo de enxada ou na ocupação do latifúndio improdutivo. Nos solidarizamos com nosso companheiros e desejamos força para prosseguirem firmes na caminhada.

Lutar não é crime!
Reforma Agrária Já!

Vitória da Conquista, 03 de Julho de 2010.

Educadoras e Educadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Bahia

FONTE: http://www.mst.org.br/node/10244

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