4/07/2012 12:00 am

Declaração final do 1º Encontro da Juventude da FSM do Cone Sul

Declaração final do 1º Encontro da Juventude da FSM do Cone Sul

 

De Buenos Aires à juventude Trabalhadora da América do Sul:

 

Reunimo-nos na bela Buenos Aires para seguir o caminho da 2ª Conferencia Internacional da juventude da FSM que ocorreu em Havana. Convidados e gentilmente recebidos pelo movimento sindical classista da Argentina, realizamos este exitoso I Encontro da juventude Sindicalista da FSM do Cone Sul – que se ampliou para toda a América Latina – para enfrentar uma época de aprofundamento da crise mundial do sistema capitalista.

 

 

Crise maiúscula, que põe em risco até a sobrevivência da espécie humana. Uma crise cujo caráter estrutural atinge todo o planeta, e também fortemente à nossa região, o que nos exige observar e reconhecer a necessidade de pensar e consolidar espaços de construção e articulação capazes de fazer frente às políticas de ajuste e às pretensões de que uma vez mais, sejamos os(as) trabalhadores(as) a carregar nas costas as consequências desta crise, e que paguemos com sangue, lágrimas e suor através da ampliação de nossa exploração.

Ante os avanços dos povos da América do Sul – que constroem alternativas políticas e econômicas ao neoliberalismo – a burguesia, e as potências imperialistas se articulam para atacar a democracia, obstaculizar a integração e ampliar seu controle militar sobre nossos imensos recursos naturais, porque nos levantamos contra seu dominio, em busca da nossa segunda independência, nosso legítimo lugar no “novo equilíbrio do universo”, como já disse Bolívar. O imperialismo nos quer sob sua bota.

 

A ameaça à juventude é evidente. Contra o desenvolvimento econômico com valorização do trabalho, com empregos dignos e direitos, responde o imperialismo com a crise capitalista. Contra a ampliação da democracia respondem o imperialismo e as oligarquías com golpes de Estado – como no caso do Paraguay e do governo Lugo -, com as seguidas manobras golpistas na Bolívia para derrubar o governo de Evo, e com ameaças à Revolução Bolivariana que conta com amplo apoyo do povo ao Presidente Chávez.

 

O imperialismo e as oligarquias são os inimigos da democracia, da participação da juventude, da soberania e da integração latinoamericana. As tentativas de desestabilização são articuladas pelas oligarquías políticas e midiáticas – vanguarda da reação – que tem a Quarta Frota e as bases militares como sua retaguarda para o saque de nossas imensas riquezas naturais.

 

A partir dessa perspectiva, devemos afirmar nossa identidade e bandeiras de luta, porque se, sim, somos autônomos na defesa dos direitos do povo, não somos neutros ante a sabotagem oligárquico-imperialista aos processos temos conquistado com sangue, marchas e votos em tantas jornadas de lutas.

 

Só unidos poderemos enfrentar tão ameaçadores inimigos. Hoje, assim como no passado, seguimos a dizer como Martí: “Nossa Pátria é a América”. É preciso ampliar a unidade dos povos, em uma só marcha, desde o Canadá e do movimiento “Occupy” nos EUA até a Terra do Fogo, no campo na cidade, com todas as formas de luta, desde greves e marchas e lutas de resistência, até mudanças eleitorais e institucionais e a luta por direitos humanos. Todas as lutas se encontram nos trabalhadores(as) e tem um só rumo emancipador.

 

Este cenário desafía a juventude da Federação Sindical Mundial, que se levanta como força avançada para organizar toda uma geração que necessita conhecer as ameaças à democracia, à soberanía, à paz e aos direitos, ameaças que podem ser enfrentados com a organização da juventude, unindo aos trabalhadores(as) e estudantes. Somos o rosto juvenil da bela tradição de luta dos trabalhadores(as) e nossa voz deve ser jovem como nossas esperanças.

 

O direito ao emprego e à educação, a luta contra a precarização e por igualdade de gênero, o respeito às diferenças, a renovação da forma como o sindicalismo fala à juventude, o chamado à juventude para fazer seu o movimento sindical, e ao movimento para abraçar a juventude são as nossas consignas. E há muito pelo que lutar, por isso chamamos toda a juventude a:

 

– Solidarizar-se com o povo paraguaio, contra o golpe, pela democracia e a favor do governo do presidente Fernando Lugo!

 

– A estar contra as movimentações militares do imperialismo, a Quarta Frota e suas Bases Militares, reafirmando que as Malvinas além de serem Argentinas são parte de Nossa América;

 

– Mobilizar-se para 3 de Outubro, Día Internacional de Ação da FSM, que tem a consigna “Alimentos, água potável, livros, moradia, medicamentos para todos os trabalhadores(as)”, necessidades reais da juventude. É inadmissível que existam jovens que morram devido à fome, à contaminação da água, que durmam nas ruas; milhões de estudantes que não tem livros; doentes que não tem medicamentos.

 

– Dar continuidade aos encontros dos jovens trabalhadores(as) do Cone Sul, pelo menos uma vez por ano, propondo para 2013 realizá-lo com a FSM Uruguai.

 

– Promover seminários sindicais dirigidos aos trabalhadores(as) jovens das organizações afiliadas à FSM

 

– Lutar contra o desemprego, e pela previdência social, a segurança no trabalho e salário digno.

 

– Ações contra a flexibilização, o trabalho informal e sem direitos, a precarização, etc.

 

– Lutar pela moradia para os jovens trabalhadores(as) e seu direito à saúde;

 

– Promover a articulação, o intercâmbio e a ação comum entre as juventudes da FSM nos mesmos ramos de trabalho e produção, com a finalidade de reforçar a unidade nas lutas ao nível regional.

 

– Apoiar o protagonismo e a participação das jovens mulheres na luta sindical.

 

Nesta sociedade desigual, devemos enfrentar as injustiças como um só punho contra o imperialismo e o capitalismo. Como disse o Che: “Se o presente é luta, o futuro nos pertence” e é socialista!

 

Buenos Aires, 30 de junho de 2012

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=187674&id_secao=7

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