24/02/2011 12:00 am

CRESCE O MOVIMENTO DE APOIO AOS TRABALHADORES DE WISCONSIN

CRESCE O MOVIMENTO DE APOIO AOS TRABALHADORES DE WISCONSIN

 

A mobilização popular junto ao Capitólio de Madison, estado de Wisconsin, Centro-Leste dos EUA, continua cheia de vigor. Esta luta começou quando o governador de direita, Scott Walker, membro do Tea Party, apresentou o seu “orçamento retificativo”, que não só reduz drasticamente as regalias, mas também elimina os direitos consagrados emcontratos   coletivos de 175 mil trabalhadores do setor público daquele estado.

Desde 14 de fevereiro, milhares de trabalhadores ocuparam o Capitólio para impedir a aprovação desta lei que constitui um atentado à organização laboral. Falando no sábado (9), perante a maior concentração desta semana, com 100 mil pessoas, Mahlon Mitchell, do Sindicato dos Bombeiros Profissionais de Wisconsin (PFW), disse: “O momento é agora. Não podemos esmorecer porque estamos na estaca zero, e aquilo que acontecer irá afetar toda a gente. Temos de ser fortes, uma frente unida”. 

Mitchell tornou-se em janeiro o primeiro presidente negro do PFW. Delegações de bombeiros juntaram-se aos protestos num memorável ato de solidariedade, uma vez que não são afetados pela lei Walker. Foram acolhidos com entusiasmo pela multidão, tal como já o tinham sido os jovens e os estudantes.

Os manifestantes encheram a área circundante do Capitólio, enquanto lá dentro se mantinha a ocupação. Durante todo o dia um imenso piquete integrado por trabalhadores dos diversos setores desfilou pelas ruas, acompanhado por percussões, cânticos, danças e canções.

No início da tarde, o racista e antitrabalhista Tea Party organizou uma contra-manifestação na escadaria do Capitólio. Aderiram cerca de duas mil pessoas, protegidas por mais de 500 polícias bem armados, mas foram cercados pela multidão que ali estava em apoio aos trabalhadores.

Desde o dia 15 que os sindicatos do setor público de Wisconsin e outros têm vindo a mobilizar milhares de associados das diferentes regiões do estado e até mesmo do Canadá. Manifestações de solidariedade tiveram lugar em várias cidades do país, principalmente em Nova York, no dia 18, junto à bolsa de Wall Street.

Walker e os legisladores de Wisconsin foram inundados com e-mails, telefonemas e foram feitas centenas de visitas aos respectivos gabinetes. Praticamente todos os principais sindicatos utilizaram os seus sites na Internet e as redes sociais para divulgar mensagens. Inscrições como “Egito? Wisconsin?” ou “Marcha como um egípcio” traduzem o espírito dos manifestantes inspirados pelo povo egípcio. A luta massiva convenceu 14 senadores do partido democrático a sair do estado, o que inviabilizou a votação final da lei.

Lynne Pfeifer, que trabalhou durante mais de 30 anos num centro de reabilitação, afirmou à nossa reportagem: “Não podemos perder os contratos coletivos. A concentração junto ao Capitólio foi fabulosa. Havia gente de todas as idades por todo o lado, na grama, nas calçadas, à volta do Capitólio”.

No dia 18, o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka, interveio ao meio-dia e o reverendo Jesse Jackson Jr. falou à tarde da escadaria do Capitólio. Ambos manifestaram solidariedade e prometeram ajudar a enterrar a lei Walker.

Estudantes de todas as nacionalidades também animaram a ocupação do Capitólio. Começaram por realizar uma concentração na universidade de Wisconsin-Madison. Depois vieram em manifestação para participar na ocupação. A sua presença aumentou após os professores de Madison terem apresentado baixa por doença, provocando, desde dia 15, o encerramento de todo o sistema público de ensino na cidade.

No dia 18, também as escolas públicas de Milwaukee fecharam e os estudantes deste distrito juntaram-se aos seus professores em protesto no Capitólio.

No interior do Capitólio, estudantes e trabalhadores mantêm a ocupação durante dia e noite. Recebem comida e bebidas do exterior e são assistidos por uma equipa médica.

Gilbert Johnson, presidente da Federação dos Trabalhadores Municipais, Estaduais e Federais na Universidade de Wisconsin-Milwaukee, afirmou: “Repudiamos as tentativas do atual governo de nos privar dos nossos direitos e da nossa dignidade. A intensificação dos protestos em todo o estado, e particularmente junto ao Capitólio, é a melhor maneira de obtermos a retirada da lei do governador Walker.”

A lei Walker deu entrada no Comitê das Finanças depois de um bloqueio popular que durou mais de 20 horas nos dias 15 e 16.

Em várias cidades dos Estados Unidos milhares de trabalhadores demonstram apoio à causa de seus colegas com vigílias e protestos contra aqueles que pretendem despojar os direitos de negociação dos contratos de trabalho, entre outros direitos.

Um grupo de 160 sindicalistas de Los Angeles, por exemplo, viajou esta semana para o Wisconsin para apoiar seus colegas.

Também há agitação em Indiana e Ohio, estados que também têm propostas de leis que limitarão os direitos dos trabalhadores.

Nas demonstrações de apoio que se espalham já por 27 estados é comum escutar os sindicalistas afirmarem que “as negociações coletivas são uma forma de democracia”; “não culpem os trabalhadores pela avareza de Wall Street”.

A situação registra um impacto do movimento a nível nacional, refletido pelo repúdio de 61% dos estadunidenses aos projetos de leis anti-trabalhadores, impelidas por vários governadores republicanos, segundo revelou na quarta-feira o instituto de pesquisas Gallup no jornal USA Today.

Com informações do Avante! e da agência Prensa Latina

 

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=148318&id_secao=9

CONTATOS

facebook.com/observatorio

(98) 99999-9999

observatoriopoliticaspublicaslutasociais@yahoo.com.br