4/10/2011 12:00 am

CPT denuncia mais um caso de violência contra camponeses

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão, em nota assinada pelo padre Inaldo Serejo (coordenador estadual), Antonia Calixto de Carvalho (coordenadora da Diocese de Coroatá) e Diogo Cabral (advogado da entidade), comunicou à imprensa e à opinião pública mais um ato de violência contra uma comunidade tradicional maranhense. Informa a nota da CPT que em 30 de setembro passado, as 48 famílias camponesas da comunidade Carro Quebrado, do município maranhense de Miranda do Norte, relataram os seguintes fatos à CPT de Coroatá:

“Que nos dia 26.09.2011 e 27.09.2011, 6 homens ingressaram na área de plantio da comunidade Carro Quebrado, para executar um trabalho de roço, acompanhados por 4 homens armados com pistolas, sendo que estes davam cobertura aos invasores, a mando do latifundiário Raimundo Carneiro.

Que no dia 28.09.2011, as famílias de Carro Quebrado impediram que os invasores continuassem a realizar qualquer tipo de trabalho na área de posse das famílias. Os camponeses exigiram a presença do fazendeiro Raimundo Carneiro na localidade, contudo, compareceu o gerente de uma das fazendas do mandante, por nome de Abraão, que afirmou às famílias que era advogado e que iria negociar com as famílias, sendo que estas não aceitaram.

Por volta de 15h30 do mesmo dia, o latifundiário Raimundo Carneiro chegou à comunidade, acompanhado por 8 homens fortemente armados com armas do tipo pistola ponto 40 e pistola 765, todas automáticas.

O latifundiário Raimundo Carneiro ameaçou as 48 famílias, afirmando que as expulsaria, alegando que necessitava da terra, visto que os camponeses não pagavam renda ao latifundiário, e afirmou que poderia ceder uma pequena parcela da terra para as famílias.

Disse ainda que se as famílias não aceitassem a pequena parcela de terra, ‘quem iria resolver o problema era o gerente Abraão e que o que ele fizesse estava feito’.

Nesse momento, um jagunço falou que no dia seguinte os invasores dariam continuidade no trabalho de roço e que ‘para resolver o problema, bastava matar uns quatro’.

Ao se retirarem do local, o latifundiário Raimundo e seu bando armado avisaram que o prazo do acordo seria findado em 04.10.2011 (amanhã) e nesse mesmo dia, o latifundiário Raimundo afirmou que todos sairão da sua terra.

No retorno ao município de Miranda do Norte, anunciaram no Comercial São João, nas imediações do povoado, que com ‘a morte de alguns’, tudo seria resolvido, segundo o gerente Abraão.

As famílias estão apreensivas, temendo por atos de violências contra suas integridades. O morador mais antigo da localidade tem mais de 80 anos, e o povoado tem registro de aproximadamente 120 anos.

Requer-se, dessa forma, que a Ouvidoria Agrária Nacional requeira, urgentemente, reforço policial na área em questão, oficiando-se aos órgãos de segurança, em especial, ao Comando Militar Agrário e à Delegacia de Crimes Agrários, visto que o território de Carro Quebrado poderá ser invadido na próxima terça-feira (amanhã, 4/9).”

 

FONTE: http://www.jornalpequeno.com.br/2011/10/3/cpt-denuncia-mais-um-caso-de-violencia-contra-camponeses-172227.htm

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