6/08/2010 12:00 am

CONFLITO ENTRE SIDERÚRGICAS E VALE CHEGA ATÉ ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO MARANHÃO

CONFLITO ENTRE SIDERÚRGICAS E VALE CHEGA ATÉ ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO MARANHÃO

Uma comitiva de metalúrgicos de Açailândia, mototaxistas e agentes de saúde do município ouviu, durante reunião na Assembleia Legislativa, o compromisso de realizar um esforço concentrado para intermediar a sobrevivência das guserias açailandenses ameaçadas de fechar, depois que a multinacional Vale aumentou em 171% o preço cobrado pela tonelada de minério de ferro. 
O alto custo da matéria prima já causou a demissão de 400 metalúrgicos da Companhia Vale do Pindaré, uma das maiores do setor em Açailândia.

 

Estavam presentes os deputados Helena Barros Heluy (PT), Antônio Bacelar (PV), Antônio Pereira (DEM), Irmão Carlos (PSDB), João Batista (PP), Nonato Aragão (PSL) e o ex-senador Francisco Escórcio.

Deputados do bloco governista agendaram reunião entre uma comissão de metalúrgicos e a governadora Roseana Sarney e o ex-senador Escórcio intermediará reunião com o ministro das Minas e Energia e também o presidente do Senado, José Sarney.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Açailândia, Jarles Adelino, apenas sete dos 15 alto-fornos estariam funcionando na produção do ferro-gusa. Está prevista ainda a realização de uma audiência pública com a presença de representantes dos setores ameaçados de desemprego, de autoridades de Açailândia e dos governos estadual e federal, além de representante da Vale. 

Acompanhados pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Nivaldo Araújo, e pela deputada Helena, que solicitou a reunião, os metalúrgicos falaram que o fechamento das guserias ameaça mais de três mil metalúrgicos, além de mais de seis mil empregos indiretos, com repercussão negativa em diversos setores econômicos e na arrecadação do município. Só o Grupo Queirós Galvão demitiu mil funcionários.

Agentes de saúde que acompanham a comitiva disseram-se preocupadas com os transtornos mentais e sociais decorrentes das demissões em massa.

MAIS GREVE

No primeiro semestre, segundo os sindicalistas, a Vale teria notificado o aumento do minério para 83 dólares, mas entre janeiro e julho, o valor subiu de 48 para 135 dólares. A Vale só aceitou diminuir o preço da tonelada para 91 dólares depois de muita pressão de sindicatos e outras 217 entidades. O preço, porém, ainda é alto para as guserias.

Alguns dos setores mobilizados já se mostraram dispostos a adotar protestos radicais, como a interdição da Estrada de Ferro Carajás, caso os guseiros continuem a fechar os fornos de produção do ferro-gusa.

O assessor da deputada Helena e militante ecológico, Alberto Cantanhede, disse que a Confederação dos Trabalhadores da Vale no Canadá, na África e no Brasil divulgaram documento informando que a multinacional distribuiu R$ 3 milhões para seus principais acionistas – HSBC, Bank Boston e Citibank, por dois anos consecutivos, enquanto empregados da empresa, nos cinco continentes, receberam R$ 2 milhões, o que revoltando os funcionários canadenses que ficaram em greve por um ano.

“A Vale tem ‘caixa’[recursos financeiros], tem linha de crédito, inclusive em recursos públicos. A decisão de aumentar o preço do minério de ferro é estratégica para fechar guserias nos vários continentes”, afirmou Cantanhede.

CAPITAL HUMANO

Ao final da reunião, a deputada Helena agradeceu aos deputados que se sensibilizaram com o convite feito por ela em seu discurso na tribuna, durante a sessão. Destacou a importância de que os metalúrgicos tenham respostas a apresentar ao retornar para Açailândia.

Helena salientou que, na reunião, “ninguém estava fechando negócio, mas reivindicando e defendendo direitos [dos trabalhadores da guserias]” e lembrou que, quando a Vale era patrimônio público dava lucro para o país e, agora, está mostrando que não precisava ser privatizada, visto que, hoje, deixa o capital fora do país na mão dos acionistas.

“Quando eu ouvia falar de minério de ferro, só lembrava do pó de minério, carvoaria, agora, vejo também como a materialização de como o capitalismo trata o descartar o trabalhador por meio da demissão”, observou.

A deputada disse, ainda, que os deputados não vão impedir as demissões, mas pleitear junto às autoridades e à Vale para rever a situação. Também observou que os parlamentares que estiveram na reunião terão por obrigação mobilizar os demais e adiantou que o Legislativo não pode ficar só no discurso, pois a reunião é apenas o primeiro passo.

Fonte: http://www.al.ma.gov.br/index.php

FONTE: http://www.justicanostrilhos.org/nota/501

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