2/08/2010 12:00 am

CHINA, 2ª DO MUNDO, SERÁ A PRIMEIRA EM INVESTIMENTOS NO BRASIL

CHINA, 2ª DO MUNDO, SERÁ A PRIMEIRA EM INVESTIMENTOS NO BRASIL

A China já possui a segunda maior PIB em dólar do mundo, segundo informações divulgadas pelo governo sexta-feira (30). O país, que acaba de superar o Japão neste cálculo, deverá assumir ainda neste ano a primeira posição no ranking de investimentos diretos para o Brasil.

Em 2009, o PIB chinês foi estimado em 4,9 trilhões de dólares, 3% menor que o do Japão e três vezes inferior ao dos EUA. O dólar, porém, não fornece uma medida muito realista para o valor efetivo da produção realizada pelos trabalhadores e trabalhadoras chinesas, pois a diferença de políticas cambiais (a China não adota o câmbio flutuante e mantém as cotações de sua moeda, o yuan, sob estrito controle) distorce as relações de preços com os demais países e em especial com os norte-americanos.

Paridade de Poder de Compra

Políticos e empresários estadunidenses que acusam a China de manipulação cambial afirmam que o yuan é mantido artificialmente depreciado com a finalidade de estimular as exportações do país e estimam entre 30 a 40% a defasagem cambial entre a moeda asiática e o dólar. Pode ser exagero, mas o fato é que o uso do dólar como critério para inferir o PIB subestima o valor real da produção chinesa.

Quando a produção é avaliada pela Paridade do Poder de Compra (PPC) as coisas mudam. O valor da produção chinesa é bem maior e o PIB per capita (produção total dividida pela população, que chegou a 6,5 mil dólares em 2008, segundo o FMI) é quatro vezes maior em PPC que em dólar. A PPC é uma medida mais realista porque exclui os efeitos de eventual valorização ou depreciação do câmbio e apura de forma mais confiável os preços relativos das mercadorias nos diferentes países. 

Ascensão

De todo modo, o que respalda a ascensão da China e a ultrapassagem do Japão (mesmo em dólar) é o extraordinário crescimento da economia, que ocorre em franco contraste com o desempenho medíocre das três maiores potências capitalistas (EUA, Japão e Alemanha). No primeiro semestre deste ano, a produção chinesa cresceu 11,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando o valor de 2,55 trilhões de dólares.

Desde 1978, quando foram introduzidas as reformas econômicas, o país vem registrando crescimento médio anual superior a 9,5%, enquanto os países capitalistas considerados mais industrializados patinam no pântano da estagnação, com taxas de crescimento em torno de 2% ao ano e elevado nível de desemprego. 

Exportação de capitais

O crescimento da produção no interior do país também projetou a influência da economia chinesa para o resto do mundo, através do comércio exterior e da exportação de capitais, alavancada após a crise de 2008. Em 2009 a China passou a liderar o ranking das exportações globais, superando a Alemanha. Em 2007 já tinha ultrapassado os EUA, que declinaram para a terceira posição. A próspera nação asiática também está rivalizando com as potências ocidentais em outra frente de notória relevância no plano do poder econômico internacional: a exportação de capitais.

O Brasil, do qual a China se tornou a principal parceira comercial durante o ano passado, é um dos principais destinos dos investimentos chineses. Até o final deste ano, os chineses prometem investir cerca de 12 bilhões na economia nacional, o que levará o gigante asiático à condição de maior investidor estrangeiro no país, a julgar pelas previsões do mercado com base nos valores anunciados pelas empresas, que representam um crescimento de 14000% em relação aos 82 milhões de dólares investidos em 2009, segundo o Banco Central.

A crise parece ter influenciado significativamente as opções dos chineses. “Depois de a China ter sofrido com a retração dos mercados americanos e europeus, sobrou a América Latina, que ainda não havia sido tão explorada pela distância e pelas diferenças culturais. Como o Brasil passou relativamente bem por essa crise, acabou sendo alvo dos chineses”, esclareceu o presidente honorário da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico e diretor da Fortune Consulting, Paul Liu. 

Recursos naturais

As atenções dos investidores estão voltadas principalmente para os recursos naturais encontrados no país, garantindo, além de lucro, o fornecimento de bens essenciais para a manutenção do elevado crescimento chinês. Os setores petrolífero, de mineração, de siderurgia e de transmissão de energia têm sido os mais visados pelos chineses.

No setor de mineração, a estatal Wuhan Iron and Steel Corporation (Wisco) fechou contrato com a LLX, do empresário Eike Batista, para a construção de uma siderúrgica no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). A previsão é que sejam produzidas cinco milhões de toneladas de placas de aço por ano. O acordo representa US$ 3,29 bilhões de injeção de capital chinês.

Além de parcerias com companhias nacionais, os chineses estão investindo também na instalação de empresas próprias. A Sany Heavy Industry, fabricante de maquinário para construção civil, pretende investir cerca de US$ 100 milhões para instalar sua primeira fábrica no Brasil, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Os bancos chineses também estão começando a se instalar no Brasil. O Banco da China, por sua vez, anunciou a abertura do primeiro escritório no país em São Paulo. 

Repercussões geopolíticas

Combinado com o fraco desempenho das potências capitalistas, a ascensão da China configura o fenômeno que Lênin no passado denominou de desenvolvimento desigual das nações. A recessão iniciada em 2007 nos EUA e a crise da dívida na Europa agravaram o quadro de desigualdade, que objetivamente leva à decadência do chamado Ocidente e ao progressivo deslocamento do poder econômico global para o Oriente.

A exportação de capitais, lastreada pelas maiores reservas do mundo (de cerca de 2,5 trilhões de dólares), tende a transformar a China, doravante, em provedora de crédito e investimentos para as nações relativamente mais pobres, respaldando os movimentos políticos que contestam os modelos de desenvolvimento ditados pelas potências tradicionais (EUA, Japão e Europa) e as instituições da ordem imperialista remanescente do pós-guerra como o FMI e o Banco Mundial. A ascensão da China realça a necessidade de uma nova ordem econômica e política internacional e, em particular, um novo sistema monetário em que o dólar já não gozará do status de moeda hegemônica.

Da redação, Umberto Martins, com agências

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=134372&id_secao=2

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