25/10/2010 12:00 am

BRASIL TEM MAIS INFLUÊNCIA NAS DECISÕES DO FMI COM REFORMULAÇÃO DE COTAS, DIZ MANTEGA

BRASIL TEM MAIS INFLUÊNCIA NAS DECISÕES DO FMI COM REFORMULAÇÃO DE COTAS, DIZ MANTEGA

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A reformulação das cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovada no último fim de semana, fez o Brasil ter influência nas decisões do fundo, disse hoje (25) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Até ontem (24), ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países que integram o G20 (grupo das maiores economias mundiais) estiveram reunidos na Coreia do Sul para discutir a divisão de poder no FMI e a coordenação de políticas cambiais entre os países do bloco.

“O Brasil mudou de status e a influência, hoje, é maior do que a participação em cotas que o Brasil tem”, disse durante entrevista coletiva para avaliar o resultado do encontro. “Essa é uma nova correlação de forças que se estabelece e que reconhece os emergentes como protagonistas.”

Até 2008, quando houve a primeira reformulação no FMI, o Brasil detinha 1,38% das cotas. O percentual passou para 1,78% naquele ano e, agora, subiu para 2,32%. A participação dos quatro principais países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China – grupo conhecido como Bric) subiu em 6,4 pontos percentuais e passou para 14,18%, mas ainda não atingiu os 15% necessários para exercer poder de veto nas votações do FMI.

Além da redistribuição de cotas, o acordo estabelece que os países europeus comprometem-se a ceder duas cadeiras para países do Bric no Comitê de Governadores do FMI, formado por 24 diretores que decidem, com igualdade, questões fundamentais do fundo. “Nos governos anteriores, o Brasil era subordinado ao fundo e, hoje, não é mais”, disse Mantega.

Com o acordo, os dez países com maiores cotas no fundo são os Estados Unidos e o Japão, além de quatro da União Europeia (Reino Unido, França, Itália e Alemanha) e os países do Bric. Individualmente, o Brasil passou a ser o décimo país com maior participação no fundo. Antes de 2008, o país ocupava o 18º lugar e tinha atingido a 14ª posição após a primeira reformulação.

Na avaliação do ministro, um novo FMI foi criado e, agora, o organismo internacional deixa de ser um simples monitorador dos emergentes e passa a ser representado de fato por esse conjunto de países. “O Brasil teve desempenho especial nessa reforma”, afirmou.

Pelo acordo, em 2014 haverá uma nova redistribuição das cotas. A fórmula será alterada para dar peso maior ao Produto Interno Bruto (PIB) na definição da participação de cada país. “Como o Brasil continuará crescendo nos próximos anos, o país vai se reposicionar novamente e ter as cotas aumentadas na nova reforma”, previu.

Apesar de o Brasil ter conquistado maior participação no FMI, o ministro da Fazenda destacou que o país não terá de fazer aportes significativos. Isso porque, no início do ano, o governo brasileiro depositou US$ 10 bilhões numa linha especial do fundo chamada NAB e esse aporte será convertido em cotas.

O ministro afirmou não ter ido à reunião por causa das medidas cambiais tomadas na semana passada, quando o governo aumentou de 4% para 6% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado de aplicações financeiras de estrangeiros fora da bolsa de valores e reajustou, também para 6%, o imposto no depósito de margem que os investidores que aplicam em derivativos são obrigados a fazer.

Edição: Lana Cristina

FONTE:  http://agenciabrasil.ebc.com.br/web/ebc-agencia-brasil/enviorss/-/journal_content/56/19523/1086863

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