16/02/2012 12:00 am

Assembleia Geral da ONU aprova resolução contra violência na Síria

Assembleia Geral da ONU aprova resolução contra violência na Síria

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A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que condena as violações de direitos humanos na Síria e pede que a violência no país chegue ao fim.

A iniciativa, apoiada pelos países árabes, é a tentativa mais recente de mediar um fim para a crise.

A resolução também pede que o presidente sírio Bashar Al-Assad deixe o poder.

Horas antes, a China, que juntamente com a Rússia vetou uma resolução anterior no Conselho de Segurança, disse que enviará um representante para a Síria.

O vice-ministro das Relações Exteriores chinês, Zhai Jun, irá a Damasco na próxima sexta-feira, no que Pequim chamou de tentativa de encontrar uma solução “correta e pacífica” para o conflito.

Grupos de direitos humanos dizem que 7 mil civis foram mortos na Síria desde o início do levante popular contra Assad, em março de 2011.

Na última quinta-feira, segundo eles, pelo menos 40 pessoas foram mortas em um ataque em Homs.

Também há relatos de que o famoso blogueiro pró-democracia Razan Ghazzawi foi preso, juntamente com Mazen Darwish, chefe do Centro Sírio de Mídia e Liberdade de Expressão, e uma dúzia de outras pessoas.

‘Apoio a extremistas’

A resolução não-vinculante da Assembleia Geral foi aprovada com 137 votos a favor, incluindo o voto do Brasil, e 12 contra, com 17 abstenções. Não é permitido exercer o poder de veto na assembleia.

O Egito levou a resolução à Assembleia em nome dos 27 países árabes que a apoiavam, e pediu aos delegados que chegassem a um consenso que mandaria uma mensagem forte às autoridades sírias.

Mas o embaixador da Síria, Bashar Jaafari, disse que aprovar a resolução seria apenas uma mensagem de apoio a “todos estes extremistas e terroristas”. Damasco afirma que está combatendo terroristas armados.

Jaafari disse que a resolução “levaria somente a um agravamento da crise e a mais violência na região como um todo”.

Antes da votação, o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que as autoridades sírias parem de matar civis e disse que crimes contra a humanidade podem estar acontecendo na Síria.

“Vemos vizinhanças bombardeadas indiscriminadamente, hospitais usados como centros de tortura, crianças de 10 anos de idade mortas ou violentadas. Vemos até certos crimes contra a humanidade”, disse.

Ban disse que era “lamentável” que a resolução anterior foi vetada pela China e pela Rússia no Conselho de Segurança, mas afirmou que a falta de um acordo “não dá ao governo a licença para continuar seus ataques em sua própria pessoa”.

O correspondente da BBC em Beirute, Jim Muir, diz que ainda não há sinais de que a Rússia vai ceder à pressão internacional e condenar as autoridades em Damasco.

Horas antes da votação na Assembleia, o vice-ministro das Relações Exteriores Gennady Gatilov disse que a nova resolução “permanece sem equilíbrio” e que Moscou não a apoiaria.

“A resolução dirige todas as suas demandas ao governo e não diz nada sobre a oposição”, disse ele, citado pela mídia russa.

Na China, o ministro Zhai Jun condenou a violência contra os civis e pediu ao governo que respeito o desejo “legítimo” das pessoas por reformas.

Mas em uma entrevista divulgada no site do Ministério das Relações Exteriores chinês ele disse também que sanções e ameaças de sanções “não conduzem à solução apropriada para este caso”.

Mais violência

Na Síria, forças do governo teriam feito um novo ataque à cidade de Deraa, no sul do país, onde o levante popular teve início.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, disse que há receio de que um massacre aconteça na vila de Sahm al-Julam, próxima a Deraa, onde dezenas de civis desapareceram.

“Testemunhas dizem que as forças de segurança atiraram em civis e os amontoaram em caminhões. Seu destino é desconhecido”, disse o grupo em um comunicado.

Também há relatos de violência na fronteira com o Iraque, à leste do país, e em Kfar Nabuda, na província central de Hama, onde soldados rebeldes teriam sido mortos juntamente com diversos civis.

Bombardeiros das forças do governo foram relatados em Homs, que, assim como Hama, foi alvo de grandes ofensivas do governo.

Os detalhes destes relatos não podem ser verificados, por causa das restrições à entrada da imprensa no país.

A Síria deverá fazer um referendo no dia 26 de fevereiro sobre uma nova constituição, que acabaria formalmente com o monopólio de poder do partido Baath, de Assad, e estabeleceria um limite de dois mandatos para a presidência.

No entanto, o correspondente da BBC diz que é difícil imaginar como o referendo pode ser conduzido com credibilidade, já que, em muitas áreas, as autoridades estão usando as forças militares para manter o controle.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/02/120216_onu_siria_resolucao_cc.shtml

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