13/03/2018 8:23 pm

A universidade é o lugar onde podemos construir um outro mundo possível

Para o reitor e filósofo João Carlos Salles, a Universidade Federal da Bahia abrigar o Fórum Social Mundial demonstra o quanto “a universidade pública é um lugar onde podemos construir um outro mundo possível, mais justo, mais inclusivo, mais diverso e democrático, menos desigual”. Ele entende que “a universidade é central na produção de conhecimento, mas também na formação de valores éticos e na formação cidadã”.
Em entrevista exclusiva a Outra Bahia, o reitor registra que, nos últimos dois anos, “a universidade pública brasileira teve sua aura seguidamente quebrada, com ataques à sua grandeza, ao seu sentido e à sua autonomia”, mas reconhece que a “contingência de recursos, aumentada em 2017, vem ocorrendo desde 2015”.
O Fórum Social Mundial, acontecendo em Salvador, transforma a cidade no “centro de atenções mundiais”, ressalta o reitor que tem a expectativa da participação de 50 mil pessoas. O evento acontece de 13 a 17 deste mês, em pleno ano eleitoral também para a Reitoria da UFBA. Salles não confirma ser candidato à reeleição, para não parecer campanha antecipada. Entrevista ao repórter Albenísio Fonseca.

Este ano, a UFBa é sede do Fórum Social Mundial com participação de políticos e inúmeras entidades e movimentos da sociedade civil. Como o senhor avalia a importância dessa iniciativa?

É uma honra e uma grande responsabilidade para a UFBa sediar o Fórum Social Mundial 2018 nos campi de Ondina e do Canela, em Salvador. Sempre brinco dizendo que Salvador é o centro do universo, e agora, com o Fórum, ela se torna uma espécie de centro do mundo, com milhões de olhos voltados para um lugar em que abertamente se debate um outro mundo possível, mais justo, mais inclusivo, mais diverso e democrático, menos desigual. Um lugar onde se debatem os caminhos para construirmos esse mundo.

Destaco assim, primeiro, que a UFBA não está sozinha nessa grande empreitada de abrir lugar para o Fórum. Ela está junto com outras instituições, com representantes de movimentos sociais, com outras universidades públicas do Estado da Bahia (em especial, a UNEB) e de outras partes do país. Juntos, estamos fazendo esse grande evento. Segundo, observo que a universidade pública é um lugar que por sua natureza amplia direitos, reduz desigualdades, expressa uma forma coletiva de tomar decisões.

Um ano eleitoral é um bom momento para a realização do Fórum?

Gostaria de observar que desde o primeiro diálogo que tivemos no ano passado com lideranças do Fórum que vieram pedir nosso apoio, ocasião em que propusemos que ele fosse realizado na UFBA, a situação política de nosso país se agravou. A universidade pública brasileira teve sua aura seguidamente quebrada, com ataques à sua grandeza, ao seu sentido, à sua autonomia. E esse agravamento traz uma nota adicional à nossa obrigação de fazer com que esse Fórum aconteça e se torne um momento de reflexão em profundidade e cheia de lucidez.

Como se dará a participação da UFBa no Fórum?

A UFBa está colocando seu pessoal, investindo sua energia para que possamos viver aqui em Salvador esse grande momento. O Fórum nem de longe é alheio ao que a universidade tem vivido, aos ataques que tem sofrido. O Fórum é um lugar de dizer que a universidade pública é central na formação intelectual, na produção de conhecimento, mas também na formação de valores éticos e na formação cidadã. Um dos slogans do Fórum Social Mundial é de que outro mundo é possível. Estamos inteiramente de acordo, mas asseguramos que nenhum novo mundo possível vale a pena sem uma universidade pública, gratuita e de qualidade.

Nós, UFBa, preparamos e vamos ter uma programação extensa dentro do Fórum, com 74 mesas temáticas. O Fórum traz uma programação imensa e rica, importante para a universidade; estamos assim juntos e misturados. Já no dia 12 inauguramos uma bela exposição de Sebastião Salgado na reitoria; no começo da tarde do dia 13 temos uma sessão solene de abertura com uma saudação ao Mestre Didi e ao importante casal de cientistas Zilton Andrade e Sonia Andrade.

Assim, a dimensão da cultura e da ciência, que são uma nota própria da presença da universidade na sociedade, estará reafirmada logo de saída. O Fórum na UFBA, e a UFBA no Fórum. É interação, é a abertura do espaço de crítica e de debate próprio da universidade para a sociedade. E é, enfim, como afirmado desde que a parceria com o Fórum se estabeleceu, a manifestação do compromisso da UFBA com o futuro de nosso país.

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