6/10/2011 12:00 am

07-10/2011- Coletivo Dandara protesta contra cultura racista na USP

Por que mulheres? Por que negras? Por que estão semi nuas? O povo negro é exótico? Mulher negra nas arcadas só uma vez por ano?

Com essas perguntas o Coletivo Dandara tenta problematizar a presença das mulheres negras na sociedade brasileira, procurando, especialmente, destacar as circunstâncias nas quais elas ocupam espaços na nossa Faculdade de Direito da USP.

 

Coletivo Dandara

 

 

Para nós, a importância deste tipo de intervenção se encontra no fato de a dupla opressão das mulheres negras ser constantemente invisibilizada, fazendo com que ela seja não apenas reproduzida inúmeras vezes, como também reafirmada. Essa falta de percepção, que em alguns casos configura negligência, não ocorre à toa. O sistema capitalista-patriarcal tira vantagens econômicas dessa dupla opressão, explorando ainda mais as mulheres negras. Da mesma forma, não é a toa que uma série de mitos machistas e racistas são criados e alimentados.

O maior deles é de que no Brasil vivemos uma verdadeira democracia racial, apreensível em frases como: “os negros tem condições iguais às dos brancos para entrar na Universidade”. Ora, se é assim, por que tão poucos(as) negros(as) estão na Universidade? Por que os salários das mulheres são menores do que os dos homens e os das mulheres negras menores do que os das mulheres brancas? Por que tão poucas mulheres negras ocupam cargos de maior hierarquia?

Outro ponto bastante relevante: no imaginário coletivo, negros e negras aparecem quase sempre associados a um estereótipo marcado pela sensualidade. Em relação às mulheres, a situação é pior, já que é ainda mais reforçada a imagem da mulata pronta para o consumo. Cria-se, assim, um padrão que persegue e oprime a todas as mulheres, até mesmo aquelas tidas como próximas do desejável, uma vez que em decorrência de toda a indústria da beleza, o padrão torna-se a cada dia mais inalcançável. Vale ressaltar que, diante de tamanhas imposições, vem aumentando o número de mulheres que por tanto se esforçarem para serem valorizadas socialmente, acabam desenvolvendo perigosos distúrbios, tais como depressão e anorexia, que podem até mesmo levá-las à morte.

Grito do Peru

Essas são algumas razões que tornam a presença das mulatas na tradicional festa denominada Grito do Peru tão simbólica e sintomática. Em que outro momento, senão no nosso particular carnaval, com toda sua excentricidade de perus, a mulher negra ganha destaque nas arcadas? É pela sestrosidade de seus movimentos e por seus corpos esculturais que as mulheres negras merecem ser valorizadas em um espaço universitário com baixíssimo número de mulheres e homens negros(as)?

Por acreditar que essa mentalidade socialmente enraizada e que, de tão mascarada, quase não é percebida, nós do Coletivo Dandara propomos essas reflexões tão urgentes e necessárias: Por que elas são mulheres? Por que são negras? Por que estão semi nuas? Povo negro é exótico? Mulher negra nas arcadas só uma vez por ano?

Fonte: Coletivo Dandara – USP

 

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=165682&id_secao=8

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